Deströyer 666 - Unchain The Wolves
(Modern Invasion Music)
Este aqui é o cult debut álbum dos australianos do Deströyer 666, um álbum que infelizmente é esquecido por muitos apreciadores de Metal Extremo, o que é uma pena, pois Unchain The Wolves é um dos melhores trabalhos de Black Metal da década de 90 e com certeza o melhor da carreira do Deströyer 666. O grupo foi formado em 1994, em Melbourne, Austrália, como um projeto solo do maníaco K. K. Warslut (que integrou o Corpse Molestation que posteriormente passou-se a chamar Bestial Warlust) e lançou dois trabalhos, a demo Six Songs With The Devil e o EP Violence Is The Prince Of This World, antes de lançarem este álbum. A diferença do Deströyer 666 em relação ao Bestial Warlust é que o primeiro soa muito mais variado explorando as influências de Thrash Metal e Death Metal. Digamos que o grupo consegue unir de maneira perfeita o hipnotismo do Black Metal, o caos do Death Metal e a violência do Thrash Metal, soando épico e único em diversos momentos. Isso fica mais do comprovado na faixa de abertura, Genesis To Genocide, que com seus longos dez minutos de duração nunca soa cansativa ou enfadonha, muito pelo contrário, pois a variação nos andamentos e dos riffs é o que mais chama a atenção. A próxima música é uma das melhores composições do grupo e do álbum, a clássica Australian And Anti-Christ que possui um pique Thrash Metal irresistível, fazendo os headbangers baterem cabeça até sair rolando por aí. Assim como Satan´s Hammer que tem um andamento bem Rock N´Roll com refrão e solos bem marcantes. A atmosfera épica volta à tona com a trinca Tyranny Of The Inevitable, Six Curses From A Spiritual Wasteland (a composição mais Black Metal do álbum, com riffs extremamente gélidos e um trabalho velocíssimo da cozinha) e a faixa título Unchain The Wolves. A curta Damnations Pride volta com a sonoridade mais direta, abrindo espaço para Onward To Arktoga, composição que encerra este grande registro e que já tinha aparecido na primeira demo do grupo. A produção soa bem crua e ríspida, combinando perfeitamente para a atmosfera de caos que o álbum se propõe. Embora o Deströyer 666 tenha escrito outras cativantes músicas em seus trabalhos seguintes e indiscutível que o auge de sua carreira encontra-se neste registro, pois há algo especial aqui que depois eles não conseguiram mais repetir, nem mesmo no tão "aclamado" Phoenix Rising. Um registro fudido de uma banda extremamente fudida! Clássico absoluto! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Este aqui é o primeiro lançamento dos suecos do Marduk; Fuck Me Jesus foi uma clássica demo gravada em 1991 e que posteriormente foi relançada em formato EP pela gravadora francesa Osmose Productions. Na época deste registro, a sonoridade do grupo era bem diferente do que viria a ser seus lançamentos futuros, já que em Fuck Me Jesus o Marduk possuía muitas influências de Death Metal, que reunidas ao Black Metal tradicional, deixava o som muito mais diversificado. Algo semelhante estilisticamente com que o Darkthrone fez no magnífico Soulside Journey. O trabalho inicia-se com a faixa titulo que na verdade é uma introdução retirada do filme Exorcista (“Let Jesus Fuck You” e ”Lick Me”), que em minha opinião combinou perfeitamente com a proposta do álbum. A parte principal do EP concentra-se em três composições, Departure From The Mortals, The Black... e Within The Abyss, que depois fariam parte do debut Dark Endless lançado em 1992. Essas três músicas são ótimas, com várias variações, mesclando muito bem partes arrastadas e macabras com os blast beats da bateria. Os vocais de Andreas Axelsson são excelentes, vomitados e cheios de ódio, assim como a bateria de Joakim “Af Gravf” que soa bem diversificada. Esse EP foi relançado em 1999 com três faixas bônus dentre eles uma versão de estúdio da música Dark Endless (gravada nas sessões do Opus Nocturne) e dois covers do Bathory para as músicas In Conspiracy With Satan e Woman Of Dark Desires (que saíram no álbum tributo ao Bathory, intitulado In Conspiracy With Satan). Vale lembrar também de sua arte de capa, uma das mais blasfemas e afrontadoras da história do Black Metal. Fuck Me Jesus é um registro muito bom de um dos melhores grupos da Escandinávia. Recomendado para os fãs do grupo e fãs de Black Metal. Se achar compre! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Morbid Saint - Spectrum Of Death
(Avanzada Metalica)
Certifique-se de estar preparado para surpreender-se antes de colocar esse álbum para tocar, pois Spectrum Of Death dos americanos do Morbid Saint é um dos trabalhos mais brutais já realizados por um grupo de Thrash Metal em todos os tempos. De fato quando nos lembramos de extremismo no Thrash Metal logo nos vem a cabeça clássicos absolutos como Reign In Blood, Darkness Descends e Pleasure To Kill, só para citar alguns exemplos. Bem, posso afirmar aqui que não seria exagero algum acrescentar Spectrum Of Death nesta lista, pois se trata de um registro magistral. A primeira coisa que salta os olhos é sua horrenda e chamativa capa, trazendo uma espécie de demônio esquelético, que combina perfeitamente com a proposta agressiva do trabalho. A segunda é a produção, realizada no Opus Recording, que soa extremamente crua, deixando as músicas ainda mais mortíferas, como se fossem autênticos murros na cara! Musicalmente o Morbid Saint apesar de ser um grupo americano, possui uma sonoridade com um acento totalmente germânico, devido aos vocais incomparáveis de Pat Lind (confesso que suas linhas vocais foram a coisa mais próxima que eu ouvi de alguém estar possesso por um demônio), os riffs “serra elétrica” da dupla Jim Fergades e Jay Visser, o baixo marcante e audível de Tony Paletti e a bateria veloz e cheia de mudanças de tempo de Lee Reynolds. As oito faixas que compõem esse clássico são bem variadas, dotadas de variações que nunca deixam o ouvinte entediado. Assim ao lado de músicas curtas como Burned At The Stake e Damien, temos também composições épicas como Assassin (que supreende pelas diversas alterações e mudanças de andamento. Com certeza uma das melhores músicas que já ouvi no Thrash Metal) e Scars (com um refrão memorável). Outras faixas que se destacam são Lock Up Your Children e a violentíssima Crying For Death. Spectrum Of Death é um dos mais subestimados e brilhantes álbuns já escritos. Uma pena o grupo não ter conseguido atingir um reconhecimento maior, pois potencial esses maníacos tinham de sobra e com certeza mereciam uma atenção maior. Altamente recomendado! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Darkthrone - A Blaze In The Northern Sky
(Peaceville Records)
E cá estou eu novamente na sessão Classic Review, para prestar uma homenagem a um álbum de suma importância para o Black Metal e que, em minha opinião, foi lançado muito à frente de seu tempo. É óbvio que estou falando do fenomenal A Blaze In The Northern Sky dos noruegueses do Darkthrone. Gravado em 1991 e lançado somente no início de 1992, A Blaze In The Northern Sky marca o início da fase Black Metal da banda. Como todos têm conhecimento, o Darkthrone tocava um Death Metal extremamente cru em suas demos e no seu debut álbum, o magnífico Soulside Journey, mas o envolvimento do grupo com a cena Black Metal norueguesa fez com que a sonoridade do mesmo fosse alterada. Era época em que a cena norueguesa passava pelo seu melhor momento, revelando diversos grupos de qualidade, mas também era o auge do Inner Circle, que já começava a causar diversos problemas para porca sociedade judaico-cri$tã, espalhando o ódio e o caos. E foi neste ambiente que o Darkthrone lançou seu segundo petardo. A visual Death Metal de outrora, foi substituído pelos spikes e corpse-paint e os membros do grupo (assim como todas as outras bandas que estavam começando) adotaram pseudônimos. Dag Nilsen, insatisfeito com as mudanças de sonoridade, foi chutado do grupo sem a menor cerimônia. Musicalmente A Blaze In The Northern Sky, o Darkthrone passou a combinar suas influências de Hellhammer, Celtic Frost (old) e Bathory com estruturas mais simples e vocais rasgados (ótimo trabalho de Nocturno Culto), criando assim, uma sonoridade crua e primitiva. A prova disso é a longa Kathaarian Life Code, onde após uma diabólica intro, mescla partes velozes com outras mais cadenciadas, tudo isso regido pelos vocais desesperados de Nocturno Culto A produção chama a atenção por ser extremamente suja e primitiva, realçando o poder de fogo das composições. In The Shadow Of The Horns é uma das melhores faixas e uma das minhas preferidas deste trabalho, pelo seu marcante refrão e pela inclusão de partes acústicas em seu final. A próxima música Paragon Belial, assim como Where Cold Winds Blow, possuem uma atmosfera atormentadora e carregadas de ódio. A faixa título destaca-se pelos riffs afrontadores e violentos de Nocturnal Culto e Zephyrous e a condução perfeita de Fenriz nas baquetas. Encerrando esse grande artefato temos a densa The Pagan Winter, que com suas melodias gélidas, fecha com chave de ouro essa autêntica e desoladora obra de arte do Metal Extremo. Para finalizar um destaque especial para a simples, porém perturbadora capa, trazendo uma foto de Zephyrous em um cemitério, combinando perfeitamente com a proposta do álbum. Essencial! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Está aí um álbum que considero subestimado. Talvez pelo fato que na época de seu lançamento (1995) a cena Black Metal estava sobrecarregada e com os olhos voltados somente para os grupos escandinavos. Com isso, esse debut do Enthroned acabou passando despercebido. Mas justiça seja feita e nesta Classic Review resolvi resgatar esse cult álbum, que muitos consideram o melhor já feito pelo grupo. Antes de lançarem esse álbum, o Enthroned já tinha chamado a atenção no underground pela repercussão de seus dois primeiros materiais, uma promo batizada apenas de Promo 94 e um split, Scared By Darkwinds / Longing For The Ancient Kingdom II, dividido com o Ancient Rites. Preparados, o trio composto por Lord Sabathan (vocal/baixo/teclados), Tsebaoth (guitarra) e o moribundo Cernunnos (bateria), entraram em estúdio para gravar Prophecies Of Pagan Fire, um autêntico assalto de malevolência e maldade. O álbum começa com a instrumental Prophecies Of Pagan Fire, uma música acústica e com um clima místico, que prepara o ouvinte para a composição seguinte, a clássica Deny The Holy Book Lies. Esta música que até hoje é tocada nas apresentações ao vivo do grupo, mescla partes velozes com outras mais cadenciadas de forma perfeita. Os vocais de Lord Sabathan são odiosos, brutais e com uma característica bem própria. Os riffs são rápidos e primitivos e as discretas, porém eficientes, inclusões dos teclados contribuem para deixar o clima ainda mais mórbido e obscuro. Clássicos do Black Metal você irá encontrar em profusão aqui, como fica comprovado nas fudidas Under The Holocaust, Tales From A Blackened Horde, At Dawn Of A Funeral Winter, Rites Of The Northern Fullmon, a épica Skjeldenland, At The Sound Of The Millennium Black Bells (simplesmente fantástica!)e por fim, encerrando com a longa e variada As The Wolves Howl Again. Como o leitor pode reparar citei a maioria das músicas deste álbum, comprovando mais uma vez o seu poder de qualidade. Após esse petardo, o Enthroned viveu momentos turbulentos devido ao suicídio do baterista Cernunnos em 1997 e o abandono do guitarrista Tsebaoth. Com isso, Lord Sabathan se viu sozinho e teve que remontar o Enthroned para o próximo álbum Towards The Skullthrone Of Satan. Mas isso é assunto para outro dia. Prophecies Of Pagan Fire é um álbum excelente, clássico e obrigatório na coleção de todos os hellbangers. (Por: Saulo Baldim Gandini)
Headhunter DC - Punishment At Dawn
(Cogumelo Records)
Após uma longa espera, que perdurava dezoito anos, de inúmeras insistências da banda e dos fãs do Culto da Morte, finalmente a Cogumelo Records tomou vergonha na cara e resgatou esse álbum, que é um dos melhores e mais importantes registros deste infame grupo baiano. Originalmente lançado em vinil no ano de 1993, Punishment At Dawn marca o início de uma postura musical e ideológica mais desenvolvida do Headhunter DC. Em oito faixas o grupo conseguiu atingir o equilíbrio perfeito entre as partes mais técnicas e a espontaneidade dos riffs diretos. Isso foi essencial para a criação da atmosfera perfeita do profano e violento Death Metal da banda. Este trabalho marcou as estreias do segundo guitarrista Simon Matos e do baterista Túlio Constantin (ex-Calvary Death), substituindo Iaçanã Lima. A Cogumelo caprichou bastante neste relançamento, oferecendo um novo conceito gráfico para o encarte (rico em detalhes), com fotos de todos os integrantes, letras das músicas e um texto muito interessante assinado por Luiz "Angelkiller" Jr. A remasterização ficou perfeita, realçando todos os detalhes das composições deste trabalho. Além disso, essa reedição nos trás quatro faixas bônus, sendo um fudido cover para Morbid Visions do Sepultura e mais três músicas ao vivo. Sobre os destaques é impossível não citar as brutais Forgotten Existence, Intense Infanticide, a faixa título Punishment At Dawn, Searching For Rottenness e a longa e mórbida Deadly Sins Of The Soul que encerra esse clássico álbum de maneira perfeita. Maníacos admiradores do Culto da Morte corram atrás deste relançamento. Imperdível! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Dissection - Storm Of The Light´s Bane
(Nuclear Blast Records)
Alguns leitores poderão me questionar o porque um álbum como Storm Of The Light´s Bane lançado em 1995 figura nessa sessão. Bem, em minha opinião, trabalhos clássicos não tem prazo de validade e nem idade. São álbuns que serão lembrados por gerações, pois soarão sempre atuais. Por isso que enquadro Storm Of The Light´s Bane neste conceito. O debut álbum desses mestres suecos, The Somberlain, foi muito bem recebido pelos fãs de música extrema, mas foi com esse segundo trabalho que o Dissection começou a ser reconhecido por um público maior. Se isso foi bom ou ruim, cabe ao leitor decidir. Com uma belíssima arte de capa assinada pelo mago Kristian Wahlin e gravado novamente no estúdio Hellspawn/Unisound Studios de propriedade de Dan Swanö em Novembro de 1995, Storm Of The Light´s Bane é brutal, desesperador, gélido, odioso, inspirador, mas acima de tudo, uma autêntica obra prima. Temos registrado aqui um Black/Death Metal que possuía melodia e belas passagens acústicas, mas sempre molestados pelo toque carniceiro do grupo. Em comparação ao álbum anterior, este soa muito mais extremo e agressivo. O trabalho começa com uma marcha da morte chamada At The Fathomless Depths que prepara o ouvinte para a massacrante Night´s Blood, uma música rápida, dotada de diversas mudanças de andamento, riffs técnicos e melodia na medida certa, sem soar piegas. O trabalho de guitarras de Jon Nödtveidt e Johan Norman (que substituiu John Zwetsloot) é irrepreensível, dotada de riffs intrincados, ora brutais, ora melódicos e com solos de extremo bom gosto, Ole Öhman é uma máquina de bater, sempre variando os andamentos e acrescentando detalhes nas composições e Peter Palmdalh mostra-se muita segurança em segurar as quatro cordas. A próxima música é Unhallowed, que explode nos alto falantes com a bateria de Ole na velocidade da luz, o vocal ríspido de Nödtveidt (que neste trabalho atingiu o seu auge), um belo dueto de guitarras em seu meio e as tradicionais partes acústicas em seu final. Where Dead Angels Lie é cadenciada, melancólica e esbanja um feeling arrebatador. Vale salientar que essa composição foi lançada em um EP no ano seguinte. A música Retribution -Storm Of The Light´s Bane, começa veloz para depois cair numa levada mais Thrash Metal com destaque para o seu ótimo solo de guitarra em seu meio. O início ameno, com dedilhados limpos de guitarra, marca a entrada da longa Thorns Crimson Of Death que conta com a participação de Legion (ex-Marduk) nos backing vocals. O momento mais esporrento deste álbum é Soulreaper, uma composição extremamente veloz em relação as demais, onde o grande destaque vai para a performace segura do baterista Ole Öhman, que destrói completamente seu kit. Toni "It" Särkkä (Ophthalamia) faz uma pequena contribuição nesta faixa com os backing vocals. Por fim, depois da tempestade vem a calmaria e ela está representada aqui pela instrumental de piano, No Dreams Breed In Breathless Sleep. Composta por Alexandra "Axa" Baloghs essa instrumental encerra esse grande registro deixando uma impressão de melancolia e morte encaixando-se perfeitamente na atmosfera do álbum. A versão que estou resenhando vem incluído o EP Where Dead Angels Lie que além de trazer a versão demo da música título, ainda nós trás dois covers (um para Elizabeth Bathory do Tormentor e o outro para The Antichrist do Slayer), a instrumental Feathers Fell (que aqui consta numa versão diferente daquela que apareceu no debut The Somberlain), além da direta Son Of Mourning. Após esse álbum o Dissection realizou diversas turnês, mas infelizmente, os problemas extra-musicais levaram o líder e principal compositor Jon Nödtveidt a passar sete anos na prisão devido ao assassinato de um homossexual. Jon deixou a prisão, remontou o Dissection e lançou mais um álbum intitulado Reinkaos para depois surpreender a todos com o seu suicídio em Agosto de 2006. Storm Of The Light´s Bane é um registro magistral e que tem resistido ao teste do tempo, um álbum que todo o hellbanger deveria ouvir e possuir em sua coleção. (Por: Saulo Baldim Gandini)
Continuando com a nossa sessão Classic Reviews, hoje irei comentar sobre um grupo que, apesar de não figurar na elite do Thrash Metal alemão (vide o “trio de ferro” Destruction, Sodom & Kreator), não deixa de ter sua importância para o estilo, tendo inclusive, lançado esse clássico aqui intitulado Possessed By Fire. Sim, caro leitor, estou falando do Exumer! Formado na cidade alemã de Frankfurt, em 1985, o Exumer viveu o “boom” da cena Thrash Metal germânica e chegou a chamar atenção dos headbangers da época pela rispidez que executava suas músicas. Infelizmente a banda acabou sendo ofuscada por outros medalhões do estilo, encerrando suas atividades em 1990, sendo reformulada onze anos mais tarde. O grupo gravou uma demo em 2009 e promete um novo álbum em breve. Depois dessa pequena biografia, vamos ao que interessa: o álbum! Possessed By Fire foi gravado em 1986, no Musiclab Studios, em Berlin sob a supervisão do mago das produções Harris Johns. A capa chama atenção por causa do “mascote” adotado pelo grupo: uma criatura usando uma máscara de hóquei, característica que foi copiada no álbum seguinte Rising From The Sea. Após uma pequena intro, para gerar um clima suspense, o grupo já começa maltratando os pescoços dos metalheads com a rápida faixa-título Possessed By Fire, com uma rifferama infernal dos guitarristas Bernie Siedler e Ray Mensh e um andamento alucinante da bateria de Syke Bornetto. Os vocais de Mem Von Stein (que também é o responsável pelas quatro cordas) com certeza é o que mais chama atenção, pelo fato de ser extremamente insanos! Definitivamente o cara estava com o demônio no corpo quando gravou esse álbum, tamanho os berros e gritos desesperados que se ouve a cada minuto deste trabalho. O resultado final é excelente! Sem mais delongas, o grupo já emenda com Destructive Solution, uma música rápida, mas que em sua metade ganha uma mudança de andamento bem interessante, com direito a dedilhados e um belo solo de guitarra, voltando a porradaria novamente. Fallen Saint começa com rápido som de sino logo ficando veloz. Destaque para o ótimo trabalho do baterista Syke, muito seguro e preciso em suas batidas. Outros destaques vão para AMortal In Black, Sorrows Of The Judgement (com sua atmosfera a lá Slayer), Journey To Oblivion e a excelente Silent Death que encerra esse clássico com chave de ouro. No ano seguinte o Exumer lançou seu segundo álbum, Rising From The Sea, já sem o vocalista e fundador Mein Von Stein. Em seu lugar entrou Paul Arakari, com um timbre totalmente diferente (mais puxado para Tom Araya) mas sem o brilhantismo do mesmo. O som, apesar de alguns momentos agradáveis aqui e acolá, soa como um plágio descarado de Slayer. Possessed By Fire, apesar de algumas vezes não ser lembrado é um grande trabalho e que merece ser ouvido. Você gosta de álbuns como Bonded By Blood e Show No Mercy? Então não deixe de conferir essa pedrada Made In Germany! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Iron Angel - Hellish Crossfire
(Steamhammer Records)
O nome Iron Angel é mais um exemplo de grupo que não atingiu o sucesso desejado, mas sempre será lembrado pelas almas antigas como uma das mais mortíferas bandas de Speed/Thrash Metal da década de oitenta. Formado em 1983 na cidade alemã de Hamburgo pelos amigos de escola Dirk Schröder (vocais), Thorsten Lohman (baixo), Petter Wittke (guitarras), Sven Strüven (guitarras) e Mike Matthes (bateria), o grupo viveu os tempos áureos da cena metálica alemã e abalou as estruturas do Metal na época, principalmente pela maneira agressiva na qual eram tocadas suas músicas. No seu início a banda atendia pelo nome de Metal Gods (uma homenagem ao Judas Priest), mudando para Iron Angel logo em seguida, por sugestão baterista Mike Matthes. Em sua curta carreira o Iron Angel lançou apenas dois álbuns, o clássico debut Hellish Crossfire (o álbum homenageado nesta resenha) e Winds Of War. Lançado em Julho de 1985, pela gravadora Steamhammer Records, são de Hellish Crossfire as pedradas mais violentas do Iron Angel como a magistral The Metallian,que abre o trabalho com muita velocidade e peso, a empolgante Sinner 666, Legions Of Evil (excelente e com um refrão magistral!), Black Mass, Nightmare e Heavy Metal Soldiers (mais Metal impossível!). A versão lançada no Brasil pela Marquee Records ainda nos trás como bonus-track a demo Power Metal Attack. Após Hellish Crossfire, como foi mencionado acima, o grupo lançou mais um disco de estúdio intitulado Winds Of War, seguindo uma linha um pouco mais melódica e trabalhada, o que acabou não agradando alguns integrantes e fãs do grupo. E por causa desses problemas de “direcionamento musical” a banda resolveu parar com sua destruição. O grupo ainda ameaçou uma volta com o lançamento da demo Back From Hell em 2007, mas sem sucesso. O Iron Angel é um nome que faz muita falta ao cenário de hoje, infestado por bandas “modernosas” e sem feeling. (Por: Saulo Baldim Gandini)
A música extrema chegou a um patamar diferenciado entre 1987 e 1992. Neste período diversas bandas começaram a elaborar uma sonoridade com características mais 'inflamadas'. O Grindcore invadia o submundo underground, enquanto o Death Metal se proliferava com extinto famigerado de velocidade. O Black Metal se tornava menos Metal e mais "Black", muita ideologia idiota de vandalismo na Europa e pouca postura headbanger. Dentre várias instituições que surgiram nesta época destaco essa desconhecida banda oriunda da Austrália: Martire. Com o seu Death/Black/Thrash avassalador, a banda lançou em 1991 o EP auto intitulado, caracterizado pela sonoridade rápida e crua dos australianos e seguindo a tradição de veteranos como Hobbs Angel Of Death, Mortal Sin e Slaughter Lord. Os poucos mais de 15 minutos de Metal ríspido demonstram a influência de bandas como Sarcófago, Blasphemy, Necrodeath, Possessed e outros e refletem a resistência e postura das gravações espontâneas. Faixas como Apocalypse, HellChrist, Peace Keeper e Hell-A-Caust fazem avaliarmos quantas bandas fodas como o Martire foram esquecidas e não reconhecidas por nós headbangers. (Por: Lucas Deathim)
Dismember - Like An Ever Flowing Stream
(Nuclear Blast Records)
Não é apenas de Heavy Load, Torch e Candlemass que sobrevivia a cena underground sueca. O país de bandeira azul e amarelo é um dos mais tradicionais dentro do Heavy Metal, repleto de grupos fantásticos. No final da década de oitenta e inicio de noventa houve um crescimento generalizado de bandas de Death Metal em todo o mundo e nas terras geladas suecas essa proliferação gerou várias bandas da vertente. Talvez dentre essas surgiu um dos grupos mais fiéis e regulares dessa escola musical tão bastarda: Dismember. Lançado em 1991, o debut Like An Ever Flowing Stream contém hinos atemporais do gênero recheado de peso e melodia. Os acordes dos tracks Soon To Be Dead, Skin Her Alive, Dismembered, In Death’s Sleep demonstram a voracidade e maestria do ruído bastardamente grave e metálico. O Metal da Morte agradece por esse registro, já que a ‘lápide’ desta instituição foi aprovada pelos seus ouvintes e pelo próprio ceifador da noite. No mais um registro obrigatório em todos os acervos pessoais de Metal. (Por: Lucas Deathim)
No início da década de 90 muitos bangers indagavam-se sobre o motivo da saída do vocalista e baixista Martin Van Drumem do Pestilence, já que a banda estava em um ótimo momento na turnê do clássico álbum Consuming Impulse de 1989, um registro histórico do Death Metal mundial. Mas logo os mesmos fãs, que tinham a dúvida da retirada de Martin, obtiveram uma resposta imediata chamada The Rack, o primeiro filho do Asphyx, lançado em 1991. Martin Van Drumem regeu os vocais e o baixo desta obra, acompanhado do guitarrista Eric Daniels e do baterista Bob Bagchus (mentor do Asphyx). Com o passar dos tempos The Rack se tornou um marco no underground não por se tratar de um álbum composto por um ex-integrante do Pestilence, mas por representar um Death/Doom visceral com uma pegada única, bastante influenciada por bandas dos dois gêneros, como o grandioso Autopsy. As guitarras ‘estouradas’ de Eric Daniels proporcionaram riffs esmagadores do mais insano Death Metal, estilo este que se proliferava pelo underground internacional a toda força, naquele inicio de década. Faixas como Vermin, Wasteland Of Terror, Diabolical Existence, The Rack e Evocation traduzem o peso da relevância desse álbum no cenário underground. O álbum foi lançado anos atrás pela gravadora brasiliense Kill Again Records repleto de bônus ao vivo. (Por: Lucas Deathim)
Como disse no meu artigo 1987: O Ano do Esporro Metálico? “Álbuns como Reign In Blood do Slayer, Master Of Puppets do Metallica, Pleasure To Kill do Kreator e Eternal Devastation do Destruction encabeçavam a cena mais extrema naquele longínquo ano de 1986”. E talvez estes álbuns foram um dos ingredientes que foram utilizados por algumas bandas no ano seguinte: 1987 Após o lançamento do debut We Have Arrived, o Dark Angel lançou em 1986 o seu segundo ato de destruição, o álbum Darkness Descends. Primeiro álbum com o baterista, ou melhor, a locomotiva Gene Hoglan, talvez um dos músicos mais diferenciados do Thrash Metal. O álbum reflete a sonoridade “Thrash” mais extrema do Metal na década de oitenta. Os riffs ultra rápidos de Jim Durkin e Erik Meyer dilaceraram os ouvidos alheios na época, o vocal veloz e agressivo de Don Doty, acrescentou elementos que em conjunto apresentavam uma grandiosa voracidade. A apresentação do disco começa com a poderosa faixa auto-intitulada, outras faixas como TheBunrning Of Sodom (vide aceleração fora do normal), Hunger Of The Undead, Merciless Death (essa um dos hinos da minha trajetória headbanger), Death Is Certain (Life Is Not), Black Prophecies (essa possui o riff mais arregaçado da história do Heavy Metal) o álbum termina com a longa e ácida faixa Perish In Flames. Todos os tracks de Darkness Descends soam como hinos de guerra, uma sonoridade avassaladora que contribuiu e muito para a inspiração de diversas bandas de Thrash, Death e Black Metal. Registro tão importante quanto Reign In Blood do Slayer. (Por: Lucas Deathim)
Em 1983 o cenário underground ganhava mais força com os primeiros lançamentos de grupos como Metallica, Slayer, Exciter, Savatage e outros. Na Dinamarca o Mercyful Fate lançava seu primeiro álbum, a obra de arte foi denominada pelo nome Melissa. O álbum é carregado de características que transformou essa instituição em uma das mais influentes do estilo. A sonoridade bastante influenciada pela New Wave Of British Heavy Metal trazia como diferencial os vocais de King Diamond, um ingrediente que transformou o som do grupo único. A dupla de guitarras formada por Michael Denner e Hank Shermann trouxeram uma identidade a mais para o som da banda com riffs cavalgados e solos melodiosos inseridos nas faixas dos álbuns. O início com o track Evil é o ponta pé inicial da obra que segue com o clima sinistro em faixas como a cavalgada The Curse Of Pharaohs, a maligna Into The Coven e a rápida Satan’s Fall. O álbum fecha com a climática Melissa que explora um sentimento de morbidez intenso. O álbum Melissa proporciona ao ouvinte um sentimento de devoção indescritível, uma espécie de culto ao oculto, um autêntico registro histórico. Na primeira audição deste petardo, estranhei os vocais do mestre King Diamond, mas logo entendi o porquê daquela forma de cantar. As oito faixas que compõe este disco foram cruciais para a minha disseminação ideológica, com este álbum aprendi o verdadeiro significado do que é ser pregador, ouvinte e acima de tudo crítico de Heavy Metal. As coisas não se transformam clássicas antes de nascer, elas nascem com o conteúdo pronto para ser degustado, o que denomina se tal trabalho é realmente uma arte, não é a apenas a importância pioneira do mesmo, mas também a interpretação individual de cada um daquele que aprecia a criação de determinado artística. O ocultismo nunca esteve tão mórbido e eloqüente em um álbum de Heavy Metal. (Por: Lucas Deathim)