O Máscara de Pele Morta Zine foi criado em 2007 por João L. Methanol (que na época fazia parte do fudido Cursed E. Zine) que resolveu sair e criar seu próprio zine voltado para os estilos mais esporrentos underground, dentre eles, Gore, Grind, Death, Noise, Splatter, Crust e Porn com ajuda de Alessandro Escarro Napalm (editor do Cursed E. Zine) e outros comparsas. Mas por uma série de imprevistos, que sinceramente desconheço, esse trabalho só foi ser lançado em 2009, mesmo com o material do zine já pronto há bastante tempo. Bem depois desta breve biografia vamos comentar sobre o que tem de interessante neste trabalho e olha que é coisa pra caralho! Nesta edição temos entrevistas com os grupos Abuso Verbal (Death/Grind - PR), Mortifer Rage (Death Metal - MG), Ass Flavour (Gore – ES), Grotescolândia (Gore/Grind – MG) e Infector (Death Metal – SP). Além das bandas temos entrevistas muito legais com Adauto Dantas (a mente por trás do Odicelaf Zine/Distro e que ficou responsável pela distribuição) e com o João do Slaughter Zine. Agora a parte que mais me chamou a atenção foi à sessão “Declarações...” onde os caras tiveram a manha de fazer uma entrevista com um Agente Funerário! O resultado final além de bizarro (no bom sentido, é óbvio!) ficou muito interessante, provando que com um pouco de criatividade podemos fazer matérias fudidas que saem do senso comum. Fora as entrevistas têm resenhas de demos, álbuns, filmes clássicos de terror e, claro, do cinema pornô. Muito bom! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Grande trabalho do camarada Maniac Warlord 666 em sua segunda edição do seu Nuclear Winter Zine. Com o objetivo de resgatar e principalmente conservar a cultura underground dos anos 80, o zine cumpre e muito bem seu papel. Este trabalho procura abordar vários estilos do Metal, indo desde o Heavy Metal Tradicional até o mais ríspido Black Metal, passando pelo Punk e Hardcore. São 68 páginas, com xérox de ótima qualidade e formato A4 de pura desgraça sonora, onde o destaque fica para a grande e fudida entrevista com o lendário Paul Speackmann do Master. Outras entrevistas que se destacam são com as bandas Angel Butcher, Bywar e Terrorcorpse. Além das entrevistas, temos as tradicionais resenhas de álbuns, biografias clássicas, matérias variadas (particularmente, como bom cervejeiro, gostei muito da História da Cerveja – HEHEHE e também da Matando pelo Metal, que fala sobre serial killers) e a tradução do clássico álbum INRI do fudido Sarcófago. Ou seja, temos aqui um material bem completo, que foge do lugar comum e que agradará bastante os fãs da música extrema e underground. Headbangers entrem em contato e adquiram já o seu! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Contato: A/C Mikhael Correia dos Santos - Rua Mário Correia de Oliveira, nº 22 / Bairro Seminário - Conj. Novo Crato - Crato (CE) - CEP: 63113-220 / Brasil E-Mail:maniac-warlord666@hotmail.com
Diabolic Force - March To Calvary
(Metal Inquisition)
ASSASSINO! É assim que posso descrever a sensação de ouvir esse debut álbum do Diabolic Force. Esse grupo carioca, que conta em suas fileiras com membros do Atomic Roar, Whipstriker, Sodomizer, Farscape e muitos outros, está na ativa desde 2001 e já gravou uma demo - Prisoner Of Wickedness - e um EP - Old School Attack - ambos em 2003, antes de chegarem a este trabalho de estréia. Vale salientar que em 2007 a No Colours Records relançou esses dois materiais em um único CD para o deleite dos hellbangers. Nesta nova empreitada o selo alemão Metal Inquisition foi o responsável por lançar March To Calvary, que nos trás dez composições do mais sujo e veloz Death/Thrash Metal onde a influência do Hellhammer é mais do que latente (ouça The Beast Returns e comprove). Além dos suiços, grupos como Venom e Kreator (fase Endless Pain) também tiveram papéis cruciais nas composições das músicas. Ou seja, não espere por nada moderno, virtuoso ou contemporâneo por aqui e sim um álbum direto, sem frescuras e repleto de muito feeling! A produção crua combinou perfeitamente com a proposta dos maníacos Whipstriker (vocal/baixo), PoisonHell (vocal/guitarra) e Adelson Angeldust (bateria). Faixas de destaque: Bastard Stealer, Useless Existence, a regravação de Prisoner Of Wickedness, Death Spells e a maravilhosa March To Calvary que encerra esse grande registro de maneira perfeita (confesso que surto toda vez que ouço o solo dessa música!) Aarrgghhh! Fudido demais! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Almighty Sathanas & Sargatanas
Black Liturgies Of Sathanas / I Observe From Under
(Black Vomit Records / Iron Bonehead Productions)
ALMIGHTY SATHANAS é uma fudida manifestação da morte em sua versão grega, com o tipo do Raw Death Metal, muito brutal e fudido é claro! O vocal monstruoso e os riffs maldosos e memoráveis de Shemhamforash e a bateria de Impure Pervertor Of The Holy Cross soa perversa e impiedosa nas duas faixas, Black Plague e Black Liturgies Of Sathanas, contidas neste 7"EP. SARGATANAS é uma banda que sou suspeito em comentar, pois aprecio muito esta arma poderosa contra o cristianismo e de total profanação! Creio que em todos os seus lançamentos esse grupo nunca deixou a desejar. Neste split eles apresentam uma faixa totalmente cadenciada (no bom sentido, sem muita firula quero dizer...) com um início não tão rápido, mas que não deixa de ser fudido. Perfeita para bater cabeça este hino brutal chamado I Observe From Under. Essa composição possui um solo de efeitos simples, mas o resultado final ficou muito bom e de acordo com o clima e tipo de som. A gravação é ultrafodida, totalmente de acordo com o perfil das bandas e o desenho que ilustra ficou perfeito para este lançamento em capa dupla que foi lançado via Black Vomit Records com a cooperação da Iron Bonehead Productions. Material recomendado para fãs de Death Metal brasileiro. Sem dúvidas um split infernal de muito Bestial/Satanic Metal ov Metal limitado em 666 cópias! Ave SARGATANAS e ALMIGHTY SATHANAS! Satanic Salutes! (Por: Zulbert Buery)
Ominous Crucifix - Relics Of A Dead Faith
(Morbid Kult Records)
Muito bom é o que eu posso começar dizendo neste funesto review de muito "morbid" Death Metal... Sombrio e frio, lembrando muito a proposta do Drowned (Alemanha). Não seria e não é uma cópia, mas o ritmo do rito é muito semelhante. Essa banda mexicana nos brinda com quatro excelentes faixas de escuridão "deathmetálica" que são: Relics Of A Dead Faith, Nefarious Prophet, Catacombs Martyrdom e Infatuated Bigots In Sadistic Communion. Death Metal mórbido e não muito rápido, mas não é Death/Doom na minha opinião. Letras de total anti-religião/anti-cristã e riffs frios (gélidos algumas vezes), atmosfera negra de morte, críptica sonoridade e um trabalho de bateria bastante criativo. Os solos de guitarra e outros arranjos também ficaram muito bons, assim como o vocal de Rubens the Mercurial Herald que tem uma certa identidade, deixando sua marca! Relics Of A Dead Faith foi lançado via Morbid Kult Records e com certeza é um dos melhores 7"EPs da década de 00s. Ouvindo a minha cópia até furar o vinil! Procurem também a de vocês! Para quem aprecia o som nas características citadas acima, vale muito a pena! (Por: Zulbert Buery)
Embrace Of Thorns - Atonement Ritual
(Nuclear War Now! Productions)
Um dos mais representativos nomes do necrounderground grego, o Embrace Of Thorns volta a atacar com mais um álbum esmagador.Esse grupo já tinha chamado a atenção dos diehards hellbangers, pelos seus impuros registros anteriores como o split com o Nocturnal Vomit, Abominable Ceremonial Torment, e seu maldito debut álbum ...For I See Death In Their Eyes... Em Atonement Ritual o Embrace Of Thorns não mudou em nada sua forma de executar seu ríspido e afrontador Black/Death Metal, claramente inspirado em grupos do porte de Blasphemy, Angelcorpse, Sarcófago e Beherit e presenteia o ouvinte com mais um trabalho de qualidades latentes. A prova disto são as fudidas Atonement Ritual, Tombs Of The Desecrated Zealots, Nemesis Of Impurity, Ceremonial Rites Of Fornification, Perdition Hammer (excelente) e a mórbida e cadenciada Perished In Mortal Agony (Second Death). A produção sonora é perfeita realçando ainda mais a sujeira extrema, o peso abundante, os vocais vomitados, os riffs afrontadores e a velocidade quebra-pescoço da cozinha. A capa é mais uma profana obra de arte do mestre Chris Moyen. Enfim, Atonement Ritual é um trabalho feito por e para cultuares do underground satânico. Para esses, poucos trabalhos podem ser tão efetivos e blasfemos quanto ele. (Por: Saulo Baldim Gandini)
Contato: Embrace Of Thorns Warcult - Skopelou 9, 13561 AG - Anargiri - Athens - Hellas
Proclamation - Execration Of Cruel Bestiality
(Nuclear War Now! Productions)
Não há dúvidas que o Proclamation é um grupo que gera diferentes tipos de sentimentos em quem os ouve. Enquanto há detratores que os acusam de serem uma mera cópia do Blasphemy, existem outras pessoas que os admiram justamente por eles conseguirem manter viva a sonoridade perpetuada pelo infame grupo canadense. Bem em minha opinião acredito que, embora existam semelhanças, esses maníacos espanhóis cultuadores da Ross Bay Cult conseguiram obter um pouco mais de identidade musical neste seu novo trabalho, denominado Execration Of Cruel Bestiality. Felizmente o Proclamation não modificou em nada sua forma de executar Metal Extremo, soando ainda mais bestial e insano neste seu novo artefato. O som é cru e primitivo, com riffs afrontadores, vocais caóticos e uma cozinha que soa uma autêntica artilharia de guerra, tamanha o seu poder de destruição. A arte da capa é simples, mantendo a tradicional caveira e as cores vermelha, preto e branca, como nos trabalhos anteriores e a produção, que apesar de ter melhorado - principalmente no que diz respeito ao som da bateria – ainda continua extremamente suja. Destaque para os vômitos nucleares Witching Torment, Morbid Lust, Diabolus Vobiscum (Deus Inversus), Orgy Of The Damned e Hammer Of Prophets. Espero ouvir mais materiais deste excelente grupo de Black Metal espanhol. Altamente recomendável! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Wolfherr - The Blackness Of Night
(Undercover Records Brazil)
O Wolfherr foi formado em 2008 no estado do Rio de Janeiro por Alastor, o doentio ser responsável pelos vocais e todos os instrumentos desta one-man-band. Relançada no formato pro-tape pela gravadora Undercover Records Brazil, com um número limitadíssimo de 33 cópias numeradas a mão, o Wolfherr nos brinda em seu trabalho de estréia, The Blackness Of Night, com dezesseis minutos do mais caótico, imundo, cru e ríspido Raw Black Metal, onde as referências escandinavas são inegáveis. São quatro faixas - sendo que uma intro e três músicas próprias (The Blackness Of Night, Misanthropic Warrior e Death In War). Todas muito bem construídas e com alguns momentos bem nostálgicos. Os riffs gélidos, a cozinha reta e sem muita variação, os vocais atormentados e a produção suja e abafada são os grandes destaques deste material. Preparem-se para um autêntico holocausto sonoro! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Após um período inativo eis que o Demogorgon, lança seu debut álbum intitulado Tenebrae. Atualmente contando em sua formação com D´Novas (vocal), o membro fundador A.C. (guitarras), N. Agressor (baixo) e J. Paulo (bateria) o Demogorgon nos brinda com seis composições (duas são intros) do mais gélido e ríspido Black Metal. Músicas como Wandering, Act e More Than Hell são dotadas de riffs crus, bateria rapidíssima e sem muita variação e vocais gritados. A produção é suja e abafada, realçando ainda mais o feeling e o poder de fogo das músicas. Minha única ressalva é que os vocais ficaram muito baixos na mixagem final, dificultando um pouco o resultado final. Se você não liga para isso e é um apreciador do mais caótico Black Metal, não deixe de conferir este trabalho. (Por: Saulo Baldim Gandini)
Fãs de Black Metal e de metal extremo que acompanham a cena necrounderground mais a fundo conhecem o Deiphago de longa data, uma vez suas demos e seu debut álbum Satanik Eon (06), desfrutam de uma razoável reputação dentre este pessoal. A boa notícia é que este Filipino Antichrist consegue ser ainda mais afrontador que seus antigos trabalhos. A começar pela capa, mais uma obra de arte do mestre Joe Petagno, tudo neste álbum é passível de elogios. Bem, talvez a produção, extremamente crua e aguda, atrapalhe um pouco a audição dos solos de guitarra, porém eles são curtos e passam rapidamente e em silêncio, em meio ao caos incessante deste álbum. O trabalho de bateria é um autêntico rolo-compressor e os vocais de Voltaire 666 são completamente insanos, se encaixando perfeitamente neste holocausto sonoro. O som é uma tempestade de rapidez, peso, fúria, distorção e urros. Uma violência total em forma de música! Destaque para Christ Eater, Storming Chaos, Satanic Metal, Satan Semen And Blood e o esporrento cover para Hate do nosso Sarcófago. (Por: Saulo Baldim Gandini)
O Metraliator foi formado em 2005, por quatro maníacos sedentos por Metal, na cidade mineira de Belo Horizonte. O grupo nos brinda neste seu álbum de estréia, Satanic Machine, com um fudido Evil Speed/Thrash Metal influenciado por bandas como Cranium, Desaster, Living Death, etc. Suas músicas são executadas de uma forma totalmente caótica, mal deixando o ouvinte respirar! Portanto metalheads abram várias latas de cerveja e batam muita cabeça ao som das pedradas Speed Metal Machine, Kill The Oppresion, Misanthropic Ways, Força Alcoólica e Medicinal Sickness. Outra coisa que me chamou a atenção foi à arte da capa, com um climão bem Voivod e Assassin (uma homenagem os fudidos Rrröööaaarrr e The Upcoming Terror respectivamente). Um lançamento feito de headbanger para headbanger e altamente recomendável! (N.E. Você pode conferir uma entrevista com grupo clicando aqui) (Por: Saulo Baldim Gandini)
Ignivomous - Death Transmutation
(Nuclear War Now! Productions)
Tenho que admitir, não tem coisa que me deixe mais feliz do que resenhar um álbum de Death Metal vindo daqueles lados da Austrália, pois me faz lembrar de nomes seminais do estilo como os esporrentos Deströyer 666, Abominator e Destruktor. Compatriotas dos grupos citados acima, inclusive tendo Chris Volcano em suas formações atuais ou que passaram por elas, o Ignivomous foi formado na cidade de Melbourne em 2006 e conta hoje, além do já citado Chris Volcano (vocal/bateria), com Sean Hinds (guitarras), Matthew Johnson (guitarras) e Jael Edwards (vocal/baixo). O grupo executa um Death Metal com riffs velocíssimos, "metrancas" constantes no trabalho de bateria e uma morbidez invejável, nas sete faixas desse debut Death Transmutation. O álbum é bem homogêneo em si e fica difícil destacar alguma composição, mas gostei muito da música de abertura Hedonistic Pain Ritual, Noneuclidean Maelstrom e a longa Alchemy Of Suffering que encerra esse trabalho de maneira perfeita. Death Transmutation é um registro marcante e que vale a pena ser conferido. (Por: Saulo Baldim Gandini)
Nova Formação: David Ferreira, Cristiano Nery, André Martuchi & Cristiano Martinez
Batalhando na cena há mais de dez anos, o Vomepotro vem tocando o seu Brutal Death Metal com temática Splatter há todos os deathbangers ávidos por podridão. Após o lançamento de duas demos, o grupo começou a chamar a atenção no underground com a demo “Necrodemented” lançada em 2000. Após esse trabalho o Vomepotro sofreu uma pausa de quatro anos até o lançamento de mais uma demo denominada “List Of The Dead”. O aguardado debut “Zombie Gore Vomit” é lançado pela gravadora alemã Obscure Domain Productions em 2006 e finalmente nesse ano (2009) “Liturgy Of Dissection”, o novo trabalho da banda, é lançado. Nessa entrevista o vocalista/guitarrista Cristiano nos fala sobre a trajetória do Vomepotro, o lançamento do novo play que sairá por uma nova gravadora e sobre a cena Splatter nacional. Stay Gore! (Esta entrevista foi publicada em 2009 para a segunda edição do Coven Of Darkness)
Por: Saulo Baldim Gandini
1-) Coven Of Darkness – Fala Cristiano! É uma honra ter o Vomepotro espalhando toda a sua podridão em nossas páginas! Vocês acabaram de lançar um novo trabalho denominado “Liturgy Of Dissection”. Como está sendo a reação do deathbangers diante deste trabalho?
Cristiano:Fala Saulo! Antes de mais nada eu queria agradeçe-lo por nos deixar contar um pouco sobre o Vomepotro para os leitores do Coven Of Darkness. Bom, o álbum foi lançado agora na segunda metade de fevereiro então ainda é pouco recente pra saber, mas já recebemos e-mails tanto de brasileiros, como de gringos que ouviram o “Liturgy” e todos falaram muito bem, isso nos deixa bastante contentes, mas acho que tem muita água ou purulência (risos) pra rolar! Vamos aguardar...
2-) Coven Of Darkness – Como foi o processo de composição de “Liturgy Of Dissection”? Geralmente as idéias são concentradas em apenas um integrante ou todos contribuem? Aproveite e fale um pouco sobre a produção do álbum. Pelo que reparei, nesse trabalho a sonoridade está mais nítida, pesada e muito mais intensa, em relação ao debut “Zombie Gore Vomit”.
Cristiano: Legal saber que percebeu isso! Realmente eu concordo com você, pois este álbum está bem mais pesado do que o “Zombie Gore Vomit”. Bom falando em produção acho que este álbum soa da maneira que queríamos desde o primeiro CD. Gravamos na casa de um amigo que tem um home estúdio bem legal por sinal e que nos deu toda a infra-estrutura pra fazer o CD de boa sem contar o rango que sempre era caprichado! (risos) Na época do “Zombie...” a gente gravou em um estúdio que não era ruim, mas acho que não nos deu a qualidade que queríamos; de qualquer forma, a vida ensina... Sobre as composições, não há muito segredo, eu componho a maioria dos riffs, depois de pronta a música é gravada na casa do André (batera) com apenas a guitarra e o metrônomo que nos auxilia pra treinar cada um com seu instrumento. O André também tem total liberdade pra criar as linhas de batera, assim como o Kleber (guitarra) também escolhe se determinada música terá solo ou não e o Mauro (baixista) sempre dá bons palpites pra melhorar isto ou aquilo. Não posso esquecer-me de dizer que metade deste álbum foi composto pelo André e depois colocamos os riffs em cima dos arranjos de bateria.
3-) Coven Of Darkness – As capas dos álbuns do Vomepotro são extremamente doentias! Vocês contaram com a ajuda do artista Jon Zig para fazê-las, como vocês chegaram a ele? As idéias são todas sugeridas por vocês? Há intenção de trabalhar com ele para futuros materiais?
Cristiano: Obrigado pelo elogio! Bom na verdade trabalhar com o Jon Zig já era algo que queríamos há bastante tempo até porque sempre piramos nas capas que ele fez pro Deeds Of Flesh, Suffocation, Disgorge (U.S.A), Sinister, entre outras e o contato surgiu da Sevared que nos perguntou se queríamos que a capa fosse feita novamente pelo Juanjo. Dissemos que gostaríamos de trabalhar com o Zig desta vez e ele disse: “OK, o cara é meu amigo, escreva pra ele, aqui está o e-mail!” A gente achou muito legal e tudo aconteceu normalmente. As idéias sempre partem de nós, falamos o que a gente tem em mente, mas sempre dando total liberdade pro cara fazer o desenho sem pressão. Acho que seria legal trabalhar com o Zig novamente, mas já temos em mente outro artista pra fazer a capa do próximo CD, até porque achamos legal sempre mudar pra não ficar uma coisa meio “igual”.
4-) Coven Of Darkness – Vocês incluíram dois covers nesse novo trabalho: Sepultura “Mass Hypnosis” (que ficou do caralho!) e Morbid Angel “Dominate”. O que levou a banda a homenagear esses dois ícones (apesar das cagadas do Sepultura) da cena metal mundial?
Cristiano: Cara, nós sempre ouvimos Sepultura, é lógico que a fase boa, até porque eu já acho o “Chaos A.D.” um lixo! Queríamos homenagear esta banda que fez o mundo saber que aqui existe Metal de qualidade! Eu acho que “Beneath The Remains” foi o CD que eu mais ouvi na vida, então como todos adoram esta fase de ouro da banda, não foi difícil escolher a música. Sobre o Morbid a idéia foi a mesma, pois sempre tocamos “Dominate” nos shows e algumas pessoas nos diziam pra gravá-la e resolvemos incluí-la. Ainda sobre o Sepultura, queria dizer que tocamos e adoramos Death Metal, mas a gente cresceu ouvindo Thrash Metal e queríamos mostrar que no nosso caso não ouvimos apenas aquilo que tocamos e sim várias vertentes do Metal.
5-) Coven Of Darkness – “Liturgy Of Dissection” foi lançado pela gravadora Sevared Records, como surgiu a oportunidade de trabalhar com eles? Vocês estão satisfeitos com o trabalho da mesma? O contrato é para quantos álbuns?
Cristiano: Como falei anteriormente, o álbum acabou de sair então ainda não dá pra falar mal deles (gargalhadas). Mas até agora tudo foi cumprido de uma maneira muito profissional! Na verdade a gente já se conhece desde a época em que nosso primeiro CD foi lançado, pois eles distribuíram algumas cópias do CD nos Estados Unidos. Quando estávamos pra começar a gravar é que falamos a respeito do CD ser lançado pela Sevared e o Barret (dono do selo) disse que queria muito lançar e me surpreendeu dizendo que tinha todas nossas demos e que era fã da banda, então foi tranquilo. O contrato é só para este álbum, não queremos contrato para vários álbuns com nenhum selo, pois se não rola um trampo legal por parte deles você fica preso. Se o trabalho da Sevared for bacana como está sendo até agora a gente renova pra o lançamento do outro CD.
6-) Coven Of Darkness - A gravadora alemã Obscure Domain Productions lançou o debut “Zombie Gore Vomit” . Porque a decisão de não trabalhar mais com eles? Houve algum desentendimento?
Cristiano: A Obscure Domain foi um selo que acreditou na banda e jamais vamos esquecer isso! O problema é que eles só prensaram 500 cópias e quando o CD esgotou eles não tiveram o trabalho de prensar mais 500, se o CD fica encalhado é uma coisa, mas a gente deu sorte e se eles viram que o álbum estava vingando deveriam ter depositado um pouco mais de confiança na gente. A Sevared é bem diferente, a primeira prensagem foi de 1000 cópias e se esgotar eles vão prensando mais, isto é muito legal, pois tanto banda como selo crescem juntos! Eles também têm uma boa distribuição e prometeram fazer camisetas também, além de terem pagado a arte do Jon Zig e prensagem do CD, ao contrário da Obscure que pagou pela capa também, mas nos enviou uma cota menor de CD´s por causa disso.
7-) Coven Of Darkness – O Vomepotro tem seus dois trabalhos lançados por gravadoras gringas. Para você facilita mais ter uma gravadora que represente a banda lá fora? Como rola o esquema de distribuição de materiais por lá?
Cristiano: Sempre tivemos interesse no mercado gringo como qualquer outra banda brasileira então se a gente pode dar um passo à frente porque não? Aqui no Brasil é foda, você manda CD promocional pra qualquer selo e sempre recebe a mesma resposta: “não estamos lançando ninguém!” A gente só corre atrás do que é melhor pra gente, pois é bem importante ser representado por um selo de fora porque a distribuição dos caras é muito melhor, ela é feita muito a base de troca, um selo troca com outro e aí chega a lojas especializadas. No nosso caso a distribuição do primeiro CD foi melhor na Europa porque os caras são de lá, agora tenho certeza que a distribuição será mais forte na América do Norte, pra nós é legal, pois a banda vai crescendo pouco a pouco.
8-) Coven Of Darkness – “Zombie Gore Vomit” teve sua versão nacional realizada pela Mutilation Records. Há possibilidade que o novo trabalho seja lançado por eles também?
Cristiano: Acredito que não!
9-) Coven Of Darkness - Voltando um pouco ao passado, são mais de dez anos dedicados ao Death Metal, o que nós sabemos que é uma tarefa extremamente difícil! Qual o momento mais complicado enfrentado por vocês?
Cristiano: Acho que no caso foi quando o guitarrista Ricardo e o vocalista Leandro saíram da banda e como o Mauro e o André não conseguiram ninguém a banda acabou e ficou inativa de 2000 a 2003. No momento estamos passando um momento ruim também porque depois de 10 anos, como você mesmo falou, o Mauro está deixando o Vomepotro por compromissos profissionais e estamos buscando um novo baixista, mas acho que infelizmente as coisas são assim mesmo.
10-) Coven Of Darkness – Gostaria que você comentasse um pouco sobre as duas primeiras demos do Vomepotro: “Pressed Corpse” (96) e The Putrid Odour (98). Como foi a recepção dos maníacos e zines diante destes trabalhos?
Cristiano: Foram muito boas, apesar de ambas não terem uma boa qualidade sonora e porque eram outros tempos em que não existia essa facilidade pra gravar e tudo era feito na base da raça, não tinha Internet, tudo era respondido na base de carta, então acho que a galera dava mais valor.
11-) Coven Of Darkness – Em 2000 vocês lançaram “Necrodemented” que foi produzida por Tchelo Martins (Krisiun, Funeratus, etc...). Foi nesse trabalho que o nome do Vomepotro começou a ficar mais forte não? Como você analisa esse trabalho?
Cristiano: Sim com certeza, mas foi o que falei logo em seguida, a banda acabou. Essa demo recebeu ótimas críticas. Na época eu conheci o Vomepotro porque os caras foram destaque da edição na sessão de demos da Roadie Crew e já tinha uma galera que falava bem deles, só não sabia que anos depois estaria tocando no Vomepotro!
12-) Coven Of Darkness – Após esse trabalho vocês deram uma pausa e só voltaram em 2004 com a demo “List Of The Dead”. O houve nesse espaço de tempo? Por acaso passou pela cabeça de vocês em terminar definitivamente o grupo?
Cristiano: Esta pausa aconteceu justamente pelo fato dos dois membros da banda terem saído e porque os caras tinham desistido mesmo! Ambos continuavam no underground, indo a shows e prestigiando, mas sem pretensões de voltar a tocar. Em meados de 2003 quando uma outra banda que eu tinha acabou, pensei logo em falar com eles até porque eu e o Kleber já gostávamos da banda e sabíamos que os caras estavam parados só porque não tinha aparecido ninguém que encaixasse no esquema da banda. Quando eu e o Kleber começamos a tocar com eles as coisas foram acontecendo normalmente.
13-) Coven Of Darkness – As letras do Vomepotro, segundo sua biografia falam: “sobre fatos reais e imaginários que relatam as mais sórdidas histórias de horror e as formas mais brutais de morte”. Aonde vocês buscam inspiração para escrever tais temas? Tenho certeza que todos curtem literatura e filmes de terror. Quais os escritores favoritos de vocês e os cineastas? Filmes como Nekromantic, Aftermath e os tradicionais filmes italianos de canibalismo e zumbis da década de 70 também servem como inspiração?
Cristiano: Com certeza! Adoramos filmes de terror! São muitas influências: John Carpenter, Clive Barker, Sam Raimi, Dario Argento, Stephen King, a gente também gosta muito do insano Zé Do Caixão, tem o pessoal da Black Vomit e por aí vai... São muitos!
14-) Coven Of Darkness – Em Janeiro vocês tocaram aqui em Pouso Alegre (MG) no Noise Festival. Como foi a receptividade do público em relação à apresentação de vocês? E os shows no exterior, vocês já receberam alguma proposta para tocar fora? Aproveite e nos diga quais bandas você gostaria de dividir o palco.
Cristiano: Foi muito legal tocar em Pouso Alegre! O publico é bem caloroso! Já tivemos a oportunidade de tocar em várias cidades mineiras e é sempre bom voltar, pois a galera aí é louca! Recebemos dois convites pra tocar nos Estados Unidos, mas é impossível ir pra fazer um ou dois shows, teria que ser no mínimo 15 datas pra valer à pena, mas é algo que queremos fazer e estamos correndo atrás neste sentido... Vamos ver o que acontece. Dividir o palco? Cara são muitas bandas! Sei lá, Dying Fetus, Deeds Of Flesh, Suffocation, Devourment, Morbid Angel, Insision, Hate Eternal, Vile, Disavowed... Cara muitas bandas...
15-) Coven Of Darkness – Cristiano como você analisa a cena Splatter nacional? Te faço essa pergunta, pois hoje em dia eu vejo a molecada só ouvindo Thrash 80´s e Black Metal e esquecem da cena Splatter e de bandas como Anarkhon, Flesh Grinder, Lymphatic Phlegm, etc... Qual sua opinião a respeito disso? Você acredita que a cena possa ainda crescer?
Cristiano: Acho que existem várias bandas incríveis como as que você citou e outras como, Deformed Slut, Corporal Sores, M.D.K, Anopsy, P.N.H e muitas outras, sobre a galera ouvir Thrash e Black Metal acho legal, mas existe um certo preconceito sobre o Splatter/Gore e acho que é só aqui, porque lá fora a carnificina reina! (gargalhadas) Espero que a cena possa crescer sim e acho que já vêm crescendo, é só ver a quantidade de bandas fudidas que estão tocando ao redor do Brasil.
16-) Coven Of Darkness – Eu gostaria de agradecê-lo pela entrevista. Deixe suas considerações finais...
Cristiano: Saulo, mais uma vez eu agradeço pelo espaço e pode ter certeza que foi um prazer! Espero não ter falado demais! (risos) Bom quem quiser saber mais sobre o Vomepotro pode entrar em contato conosco ou acessar nosso Site Oficial (www.vomepotro.com) e Myspace (www.myspace.com/vomepotro). Abração a todos e continuem apoiando a verdadeira cena nacional!
Fábio Nosferatus, Sérgio Baloff, Daniel Beans, Paulo Lisboa & Zulbert Buery
Uma verdadeira instituição do Death Metal brasileiro, assim posso definir o trabalho Headhunter D.C. Com mais de duas décadas ininterruptas, esses batalhadores de Salvador (BA) continuam espalhando o caos em forma de Metal sendo uma referência para o estilo tanto no Brasil quanto no exterior. Nessa longa entrevista o vocalista Sérgio “Baloff” Borges nos conta todos os detalhes envolvendo o Headhunter D.C. desde o começo do grupo até a grande repercussão do último álbum de estúdio, “God´s Spreading Cancer...”, fora outros detalhes interessantes. Confiram! Long Live The Death Cult! (Esta entrevista foi publicada em 2009 para segunda edição do Coven Of Darkness)
Por: Saulo Baldim Gandini
1-) Coven Of Darkness - Saudações caro Sérgio Baloff! É uma honra poder contar com o Headhunter DC em nossas páginas! São 22 anos de trabalho árduo e de total dedicação ao Unholy Death Metal, coisa difícil, pois como todos nós sabemos, vivemos em um país onde não há muito apoio para o Metal, principalmente o Metal Extremo. Diga-nos como é ser uma banda que acompanhou e contribuiu todos esses anos para um estilo tão importante como o Death Metal?
Sérgio “Baloff” Borges – Necrodeathmetálicas saudações caro Saulo & Coven Of Darkness Zine! O prazer é todo nosso, portanto deixemos a aniquilação de Deus começar... Manter uma banda de verdadeiro Death Metal por mais de 2 décadas de forma ininterrupta e mantendo-nos inquestionavelmente íntegros durante todos esses anos nos traz um misto de sentimentos como honra, orgulho, prazer e sensação de dever (mais que) cumprido. É a confirmação absoluta daquela máxima que diz que apenas os mais fortes sobrevivem, e nós somos uma prova viva disso. Vivemos todos os ‘ups and downs’ possíveis nesses 22 anos de banda, testemunhamos tendências indo e vindo, pessoas sumindo da cena com a mesma velocidade com que surgiram, ouvimos discursos empolgados os quais mais tarde nos certificaríamos de que não passavam de meras fantasias adolescentes, vimos máscaras caindo, traições... E temos muito, muito orgulho mesmo em termos sobrevivido a tudo isso, sempre fiéis às nossas raízes, aos nossos ideais que tanto defendemos com unhas e dentes, e esse orgulho torna-se ainda maior por sermos nós de Salvador, Bahia, Nordeste brasileiro, onde as condições para se manter uma banda como a nossa são as piores possíveis, em todos os aspectos – se hoje as dificuldades são inúmeras, imagine isso há duas décadas... É claro que ao longo do tempo alguns daqueles que estavam entre nós também ficaram pelo caminho, alguns por razões até aceitáveis, outros nem tanto, mas o importante é que o alicerce original do Headhunter D.C. (eu e Paulo) continua intacto, firme e mais forte do que nunca, e é esse alicerce que, aliado a outros bravos guerreiros, dá continuidade à saga do Culto da Morte, contribuindo para o sadio desenvolvimento e perpetuidade do genuíno Metal da Morte Underground. Tocamos Death Metal porque trata-se de uma extensão de nossos seres e não porque achamos um estilo legal até a chegada da próxima tendência. Carregamos a bandeira com honra e orgulho. “É isso que nos mantém vivos!” (“Long Live The Death Cult”).
2-) Coven Of Darkness - E por falar em comemoração, o selo peruano Crypts Of Eternity Records irá lançar um Double CD denominado “The Darkest Archives... From the Death Cult (1987–2007)” com gravações raras do grupo. Fato mais do que merecido pela importância do Headhunter DC, que é uma referência para o Brasil e América do Sul. Por favor, comente um pouco sobre esse trabalho...
Sérgio – O que posso dizer é que estou muito excitado e ansioso com esse lançamento! Trata-se de uma verdadeira “peça arqueológica”, uma compilação com alguns materiais raros e escondidos de nossos próprios arquivos, que vão desde os primórdios da banda, em 87, até 2007, tudo em comemoração aos nossos 20 anos de estrada. São gravações de ensaios, lives, promos, advance tapes e demais “jóias” (pelo menos para nós - risos), divididas em dois CDs: o primeiro da era Falsão (1987-1989) e o segundo da era Baloff (1990-2007). Foi um enorme prazer para mim compilar esse material, sem dúvida um importante pedaço da história do Death Metal Underground sulamericano. O selo responsável por esse lançamento será a Crypts Of Eternity Records do Peru, o qual apesar de ainda estar dando seus primeiros passos, na pessoa de nosso grande irmão Ricardo Lucas, editor do ‘mighty’ Crypts Of Eternity Zine, é mais do que digno de nossa confiança, portanto tal artefato está em muito boas mãos. A idéia é lançar esse Double CD ainda esse ano de 2009 e futuramente pretendemos lançá-lo também em vinil (triplo). Aguardem guerreiros do Metal e da Morte!
3-) Coven Of Darkness - Outro fato importante foi a participação de vocês no tributo ao fudido Mortem tocando a música “Summoned To Hell”. Como surgiu o convite da Heavier Records para o lançamento desse trabalho? Há uma previsão de quando esse tributo irá sair?
Sérgio – Eu penso que um dos principais critérios a serem usados para se convidar uma banda a participar de um álbum-tributo deva ser o elo que a banda convidada tem com a banda homenageada, e foi com esse critério que o Javier Marzuka nos convidou para participar do tributo ao Mortem, intitulado “Death Rules Supreme” (título melhor não poderia haver, huh?), ou seja, o reconhecimento de que ambas as bandas possuem uma história e uma importância muito parecidas na cena Death Metal sulamericana, além de serem da mesma época, serem possivelmente as duas mais antigas bandas de Death Metal da América do Sul em constante atividade e comungarem da mesma paixão e lealdade a esse estilo de música e de vida, e foi com muita honra que aceitamos participar desse projeto, sem mencionar que os irmãos Nebiros e Amduscias tratam-se de grandes amigos nossos e também admiradores de nosso trabalho, então definitivamente não poderíamos estar de fora dessa. A previsão é que esse tributo saia ainda esse ano, mas é difícil se ter uma idéia concreta quanto a isso, pois depende muito da disponibilidade das bandas envolvidas. Nós, por exemplo, já mandamos nosso material ao Javier há pelo menos uns 5 meses, mas sei que algumas bandas ainda nem gravaram suas versões, algo usual em se tratando de álbuns-tributo. Apesar de termos tido algumas más experiências com esse tipo de lançamento, demos um voto de confiança à Heavier e gravamos nossa versão para “Summoned to Hell” com muito gosto. Ouvi a versão do Incrust para “Morgue Rapist” e posso dizer-lhe que está fudidamente matadora também. Aguardem e confiram!
4-) Coven Of Darkness - Podemos dizer que o Headhunter DC é um especialista em participações em tributos. Para você, Sérgio, qual é o sentimento em homenagear grupos que são importantes e influentes tanto para o Headhunter DC quanto para o Metal?
Sérgio – O maior e mais importante sentimento nesse tipo de trabalho é justamente o respeito pelas bandas homenageadas e/ou pelas suas grandes obras. Infelizmente sabemos que alguns selos e até bandas encaram álbuns-tributo como verdadeiros caça-níqueis (e alguns deles realmente os são), mas nosso objetivo sempre foi o da homenagem e do reconhecimento pelo que estas bandas e seus clássicos fizeram e/ou ainda fazem pelo Metal. Blessed be the Ones, the most ancient Ones...
5-) Coven Of Darkness - Vamos agora falar um pouco sobre o último trabalho do Headhunter DC, “God´s Spreading Cancer...”. Fiquei impressionado com esse álbum devido a sua qualidade sonora e gráfica. Com certeza valeu esperar todos esses anos por esse clássico do Death Metal! Reparei também que vocês evoluíram, mas não perderam a essência. Conte-nos como foi o processo de composição e a repercussão que esse trabalho teve e ainda está tendo no Brasil e no exterior. Você ficou 666% satisfeito com o resultado final ou algo poderia ser mudado?
Sérgio – Obrigado por suas palavras! Ficamos sempre satisfeitos quando as pessoas se mostram capazes de absorver a verdadeira essência de nossos trabalhos, e a manutenção da essência é o verdadeiro significado da palavra evolução para nós. Evoluir sempre, mas sem jamais abandonar nossas raízes, isso é real para nós e é isso que você percebe e continuará percebendo a cada novo assalto de brutalidade profana do Headhunter D.C.. Eu estou 666% satisfeito com o resultado final de “God’s Spreading Cancer...” em todos os sentidos, sejam eles em suas composições em si ou em sua produção; seus cânticos sintetizam fielmente o que o Profano Metal Brutalizante da Morte Underground representa para nós, e sua produção, pesada, crua, grotesca e ao mesmo tempo cristalina serve como perfeita propulsora para a disseminação do Culto da Morte, da expansão do câncer de Deus, porém, como tocar Death Metal e Metal verdadeiro em geral é um eterno aprendizado, sempre achamos que algo poderia ter ficado melhor, então procuraremos evitar essas eventuais falhas num próximo esforço. O processo de composição de “GSC” foi árduo, pela dificuldade que tivemos para reunir toda a banda para a lapidação das músicas, mas ao mesmo tempo muito fácil, prazeroso (sempre!) pela naturalidade como as idéias foram fluindo, idéias estas vindas das mentes retorcidas do Paulo Lisboa e deste que aqui vos fala, com a doentia acessória de nossos demais parceiros de Culto. A repercussão do álbum na cena mundial tem sido grande, o que mais uma vez nos deixa muito orgulhosos por todo o árduo trabalho desenvolvido. Creio que 98% dos comentários dirigidos a ele em diferentes publicações mundo a fora têm sido positivos, alguns deles colocando-o como o melhor lançamento de old school Death Metal de 2007. É claro que existem alguns reviews que dizem que não trouxemos nada de novo para o Death Metal e blábláblá (como se fosse esse o nosso objetivo...), mas num geral a repercussão obtida por “GSC” tem sido muito boa. Também acredito que toda a longa espera de 7 anos por esse álbum tenha valido a pena.
6-) Coven Of Darkness - “God´s Spreading Cancer...” foi lançado pela Dying Music no Brasil e pela Obscure Domain Productions na Europa. Além disso, a Evil Spell Records lançou o álbum em LP, contendo um cover do Necrovore de bônus. Vocês estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelas mesmas? Aproveitando a pergunta, porque você deixaram a Mutilation, que foi responsável pelo lançamento do terceiro álbum “...And The Sky Turns To Black...”? Houve algum tipo de desentendimento entre as partes?
Sérgio – Levando em consideração todas as limitações e dificuldades que os atuais selos underground enfrentam para lançar e distribuir seus lançamentos na cena, conseqüência do “câncer” do download, mp3, banalização, cena virtual etc., sim, estamos bem satisfeitos com o trabalho desenvolvido pelos nossos atuais selos, pois todos têm feito o seu melhor para dar-nos o suporte a espalhar o Culto através das terras. A propósito, recentemente assinamos com a Ibex Moon Records dos EUA para o lançamento de “GSC” na América do Norte. Essa edição americana virá com 4 bônus tracks, sendo elas o cover de “Slaughtered Remains” do Necrovore mais 3 faixas ao vivo, e muito provavelmente, virá em formato digipack. A previsão de lançamento é para Setembro/Outubro. Na verdade nosso acordo com a Mutilation Records foi apenas para o lançamento de distribuição do “...And The Sky...”, não havendo um contrato para mais discos ou para a permanência da banda no selo por um número determinado de anos. Após o lançamento do mesmo, recebemos uma proposta da Mercenary Musik/WW3 Records dos EUA para lançar o mesmo oficialmente na América do Norte, então resolvemos fechar com eles por acharmos que seria uma boa oportunidade de disseminarmos nosso trabalho fora do Brasil numa maior escala. E foi o que aconteceu na época. Não houve qualquer tipo de desentendimento entre nós e a Mutilation. Continuamos em contato com o selo e somos muito gratos ao Sérgio Tullula pelo que ele fez pelo Headhunter D.C. àquela ocasião, época em que todos os selos nacionais haviam fechado as portas para o Death Metal. Não descartamos a possibilidade de voltarmos a criar uma parceria com a Mutilation no futuro.
7-) Coven Of Darkness - Nesse trabalho vocês incluíram uma música do lendário ThrashMassacre, grupo no qual você, Sérgio, fez parte. Como surgiu a idéia de fazer essa sincera homenagem? Há planos para coverizar mais músicas deles nos próximos álbuns?
Sérgio – A primeira vez que tocamos “Angelkiller” foi em 95, após uma tentativa frustrada de retornar com o ThrashMassacre. Anos mais tarde, surgiu a idéia de registrarmos o cover em um de nossos álbuns como uma forma de homenagear essa grande banda pioneira de Metal Extremo do Nordeste, nossos irmãos de luta, que tinha um potencial incrível, com excelentes composições de raging Thrash Metal, e que infelizmente encerrou suas atividades sem deixar qualquer registro oficial. Apesar das idéias de tentar retornar com a banda para a gravação de uma demo terem voltado à tona novamente, ainda temos planos de gravar uma música do TM a cada novo álbum nosso para finalmente perpetuar seu magnífico material. Tornando-se real qualquer uma dessas possibilidades, darei meu sangue para dar vida a seus hinos açoitantes do jeito que essa puta banda merece. Metal Possession all over the world!!!
8-) Coven Of Darkness - “God Is Dead”, “Stillborn Messiah”, “Inner Demons Rise!”, “Long Live The Death Cult”. Para mim é muito dificil apontar algum destaque diante de tantas ótimas composições. Quais músicas desse álbum estão tendo maior receptividade nos shows?
Sérgio – Todas as que você citou e mais “Contemplation (to the fire)”, já conhecida desde a época da Promo ’96, e a faixa-título têm sido pontos altos em nossas apresentações, próprias de seus altíssimos níveis de puro convite ao total headbanging, desencadeando puro furor deathmetálico entre os maníacos presentes. “Stillborn Messiah” e “Long Live The Death Cult” são músicas que já vínhamos tocando ao vivo mesmo antes do lançamento do álbum, e são sempre muito bem recebidas pelo público em nossos cultos ‘on stage’, com seus refrãos sempre sendo vomitados pelos deathbangers com uma fúria bestial em uníssono. “Hear our unholy chants...”
9-) Coven Of Darkness - Não posso deixar de comentar sobre a música “Long Live The Death Cult”, uma composição especial e com um feeling arrebatador! Com certeza fecha o disco em grande estilo. Fora a intro que vocês tiraram de uma apresentação do Possessed que a deixou ainda mais emocionante! Todos nós sabemos de sua admiração por Jeff Becerra e pelo Possessed. Gostaria que você comentasse um pouco sobre a sensação de dividir o palco com essa lendária banda e músico no show de Recife (PE).
Sérgio – Com o perdão do clichê – mas não há como ser diferente –, dividir o palco com Jeff Becerra e seus atuais asseclas dando vida novamente ao todo-poderoso Possessed foi como um velho sonho transformado em realidade. Como disse recentemente, talvez algumas pessoas não entendam ou não consigam absorver toda essa minha (nossa) devoção ao Possessed (o que é até compreensível, afinal de contas já não existem mais ‘die hard fans’ como antigamente), mas imagine você com 14, 15 anos, batendo sua fudida cabeça em seu quarto até pingar de suor, empunhando uma guitarra de papelão ao som de “Seven Churches”, berrando suas músicas e absorvendo tudo aquilo como uma grande e rica fonte de inspiração, e 23 anos mais tarde você tem a oportunidade de dividir o palco com o líder de toda aquela rebelião musical/ideológica e ver o cara batendo cabeça ao som de sua banda e gritando seu nome em frente a 1.200 pessoas que gritavam de volta para ele... porra! Não há palavras suficientes para descrever aqueles momentos! Conhecer pessoalmente e dividir o palco com os irmãos Cortez & Sadistic Intent, contatos nossos desde os dias do “Born...Suffer...Die”, também foi grande! Fudidamente e eternamente memorável! A propósito, “Long Live The Death Cult” é dedicada aos mestres Possessed e a todos aqueles que, como nós, possuem o verdadeiro Death Metal correndo fervendo nas veias. Deathbangers unite!
10-) Coven Of Darkness - Nesse álbum vocês realizaram sua primeira turnê sul-americana devastando países como Chile, Bolívia, Peru e mais outras seis cidades do Sul e Sudeste do Brasil. Como foram esses shows e como os maníacos reagiram às músicas do novo álbum? Algum fato engraçado ou curioso que tenha acontecido nessa turnê ou em outras que você queira acrescentar?
Sérgio – A “Spreading The Death Cult... Tour 2007 (destruyendo Sudamerica)” na verdade serviu como uma tour de pré-lançamento de “God’s Spreading Cancer...”, já que o mesmo ainda não havia sido lançado àquela ocasião. Essa foi mais uma importante conquista em nossa jornada, algo 100% Underground, 100% untrendy, 100% honesto, sem “jabás” ou coisas do tipo que tanto maculam nossa cena. Uma verdadeira jornada deathmetálica cheia de shows memoráveis e grandes encontros com nossos irmãos sulamericanos. Tocar em Santiago do Chile, por exemplo, cuja cena já acompanhamos desde o final dos ‘80’s via bandas como Atomic Aggressor, Sadism, Death Yell, Toten Korps, Darkness, etc. foi absolutamente memorável, com todos aqueles maníacos chilenos batendo cabeça e berrando nossas músicas. Fudido demais! Enfim, toda a turnê, incluindo aí TODOS os shows no Brasil, foi muito marcante! Não vemos a hora de rompermos as fronteiras novamente em breve! Fatos engraçados e curiosos sempre acontecem; grandes e homéricas chapações nos ‘days off’, alguns dias sem banho, comida ruim, enfim, o usual em se tratando de turnês. Um fato curioso aconteceu em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia, onde tivemos uma intro natural em nosso show, com uma tórrida tempestade lá fora, com direito a raios cortando o céu, relâmpagos iluminando o recinto e trovoadas brutais. A cada novo trovão o público, já ensandecido, gritava “hail!” em uníssono! Argh, realmente de arrepiar! Poderia contar algumas pérolas alcoólicas de nosso guitarrista Paulo (várias delas!), mas manterei-as cá entre nós do Culto HAHAHAHA
11-) Coven Of Darkness - Sérgio, uma coisa que me chamou bastante a atenção nesse álbum foi o trabalho extremamente técnico de Thiago Nogueira na bateria. Fora a produção que também foi assinada por ele, o cara simplesmente destruiu o kit nesse trabalho. Como você analisa a performance dele, já que ele assumiu as baquetas no início das gravações substituindo Daniel Brandão e teve pouco tempo para tirar as músicas?
Sérgio – Thiago é realmente uma máquina quando dedica-se a tocar Death Metal, então já era de se esperar que o resultado de sua participação no disco fosse no mínimo brilhante. Ele foi nosso baterista durante mais de 6 anos e tínhamos um excelente entrosamento, o que ajudou bastante a superar o pouco tempo que tivemos para ensaiar e finalmente entrarmos em estúdio. Foram no máximo dez dias entre passarmos as músicas para ele, ensaiarmos e concluirmos as sessões de bateria, um verdadeiro feito! Já havíamos trabalhado com o Thiago no split com o Sanctifier e no cover do Necrovore (ambos gravados pelo atual baterista Daniel Brandão), e devido aos grandes resultados obtidos nessas gravações, decidimos chamá-lo também para produzir o disco, e o resultado nos agradou em cheio. Peso abissal aliado a uma gravação na quais todos os instrumentos são percebidos com clareza, mas com a sujeira e crueza clássicas que o Death Metal demanda foram pontos importantes para fazerem de “GSC” o que ele é, e muito desse ótimo resultado devemos ao Thiago.
12-) Coven Of Darkness - No mesmo ano de 2007 vocês lançaram um Split 10” com o Sanctifier denominado “...In Deathmetallic Brotherhood”. Como se deu a idéia para esse trabalho? Há planos de lançar novos trabalhos nesse formato futuramente?
Sérgio – A idéia pro split partiu de mim, inspirado no split “...In League With…” do Desaster com o Pentacle, onde cada banda tocava um cover da outra mais uma música inédita. Passei a idéia pro Karnage da Legion Of Death Rekordz da França, com o qual já havíamos trabalhado no lançamento do live tape, e ele decidiu ficar a cargo do lançamento. O resultado foi “...In Deathmetallic Brotherhood”, um excelente trampo realizado pela LOD, sendo o primeiro lançamento em gatefold 10” do selo em 500 cópias limitadas e numeradas a mão, atualmente ‘sold out’. Mais um lançamento do qual temos muito orgulho e que representa bem o obscuro espírito da velha escola do Brutal Death Metal sulamericano. Existem planos para lançarmos um novo split, um 7” ou 10”, dessa vez com nossos parceiros do Mortem, mas no momento a idéia está em ‘stand by’. Vamos ver o que acontece mais pra frente, mas aparecendo outras oportunidades, logicamente se tratarem-se de bandas que possuam um forte elo de identificação conosco, estaremos dando nossa contribuição. Um split com Pentacle, Nun Slaughter, Embalmed Souls ou Sadistic Intent seria mais que fudidamente cult! Quem sabe num futuro muito próximo?
13-) Coven Of Darkness - Mudanças de formação é um fator extremamente complicado para qualquer grupo, e para o Headhunter DC não seria diferente, já que vocês tiveram várias mudanças no decorrer da carreira. Você está satisfeito com a atual formação da banda?
Sérgio – Sim, estou muito satisfeito com a atual linha de frente do Headhunter D.C., porém minha experiência não me permite crer 100% que trata-se de uma formação definitiva ou ao menos mais duradoura que as anteriores. De qualquer forma eu espero que ainda possamos caçar mais algumas cabeças de posers e wimps durante um bom tempo. Time shall tell...
14-) Coven Of Darkness - Sérgio vamos voltar um pouco ao passado. Apesar de não fazer parte do Headhunter DC naquela época, você poderia comentar sobre a repercussão que a demo-tape “Hell Is Here” causou na cena?
Sérgio – Até aquela época (1989) a Bahia ainda não tinha qualquer tradição dentro da cena do Metal extremo nacional, e com o lançamento de “Hell is Here” os olhares do resto do país passaram a se voltar um pouco mais pra esses lados. “HIH” – e conseqüentemente nosso debut – surgiu para quebrar alguns tabus mantidos na época, e foi como uma lição de violência para aqueles que torciam o nariz para o nosso estado e para a região Nordeste num geral. A repercussão da demo foi tamanha que acabou chamando a atenção da lendária Cogumelo Records, culminando num contrato com o selo, mais um tabu finalmente quebrado em nome do Metal nordestino. Ainda considero “HIH” como uma das grandes demos brasileiras de Death/Black/Thrash Metal dos 80’s, ao lado de outras grandes fitas como “TTHT” do Mystifier, “Fighting for the Bastards” do MX, “Satanic Lust” do Sarcófago, “Grave Desecration” do Mutilator entre outras.
15-) Coven Of Darkness - Em 1991 vocês lançaram o clássico debut “Born...Suffer...Die”, um marco para a cena Death Metal brasileira. Sérgio, quais as principais diferenças que você apontaria na cena do começo dos anos 90 para hoje? Quais pontos melhoraram e pioraram na sua concepção?
Sérgio – Muita coisa mudou de 20 anos pra cá, o que seria algo natural em um mundo que está sempre sob constantes mudanças, mas infelizmente muita coisa mudou para pior em nossa cena Underground em minha opinião, e até a própria palavra “Undeground” perdeu bastante do seu real significado. É claro que em todos os aspectos sempre existem os prós e os contras, mas num geral toda essa acessibilidade, facilidade a tudo dos dias atuais foi bastante nociva à cena ideologicamente falando, transformando o que antes era um culto num verdadeiro festival de banalidades. Quase tudo se tornou banal, normal demais, e as novas gerações, que pensam que são “felizes”, na verdade fazem parte de uma era escassa de verdadeiras emoções, se entende o que quero dizer. Logicamente como em toda regra existem as exceções, e são essas que mantém o culto vivo e a antiga chama acesa. De qualquer forma, apesar de toda a nostalgia pelos dias de glória do Metal, procuro também viver o presente e mirar o futuro, tentando tirar algo de proveitoso de toda essa caótica “modernidade”, mas sem jamais esquecer de nossas raízes fincadas no glorioso passado do Metal.
16-) Coven Of Darkness - Sobre o debut “Born...Suffer…Die”, a Cogumelo Records o relançou em 2002, mas com uma qualidade sonora não satisfatória. Mas parece que essa “escorregada” foi consertada, pois eles colocarão uma reedição do mesmo com uma nova remasterização. Outra informação importante é que finalmente após 15 longos anos o segundo álbum do Headhunter DC, “Punishment At Dawn”, será lançado em CD e contará com o cover de “Morbid Visions” do Sepultura. Porque esse álbum demorou tanto em ser relançado?
Sérgio – Sim, apesar daquela reedição do “Born...” de 2002 contar com uma ótima parte gráfica, a qualidade do áudio, que é o mais importante, é muito ruim. Até os bônus das demos e lives são de longe mais audíveis que aquilo lá, aliás é bom que se deixe claro aqui que aquele CD foi lançado sem antes nos ser enviado uma prova do master para avaliarmos, ou seja, quando ouvimos a cagada já não havia mais nada a ser feito. Foda... Na época deixamos clara nossa insatisfação com aquela remasterização perante a Cogumelo, que nos prometeu uma nova reedição com a “escorregada” resolvida. Após alguns anos, finalmente pudemos criar um novo master do disco aqui mesmo em Salvador, dessa vez com uma qualidade bem superior àquela de 2002, e no momento estamos aguardando o lançamento dessa reedição juntamente com o relançamento do “Punishment At Dawn”, os quais já deveriam ter saído desde o primeiro semestre desse ano, segundo promessas do próprio selo. Quanto ao porque desse último ter demorado tanto para ser lançado, esta é uma pergunta que eu também gostaria de saber a resposta meu caro Saulo, mas depois de tanta espera e promessas não cumpridas, eu decidi não mais buscar por respostas a esse respeito, pois iria acabar ficando louco. Só nos resta aguardar e confiar mesmo, se ainda formos capazes...
17-) Coven Of Darkness - Eu gosto muito do terceiro álbum do Headhunter DC “...And The Sky Turns To Black...” pois, como todos os outros trabalhos do grupo, ele possui uma atmosfera totalmente obscura e profana. Além de uma invejável morbidez! Apesar de esse álbum ter sido lançado há nove anos, gostaria que você falasse da importância desse trabalho para o Headhunter DC e para a cena Death Metal.
Sérgio – Cada álbum lançado possui uma importância inominável para nós, pois representam diferentes eras de nossa história, e com o “...And The Sky...” não seria diferente. Esse álbum foi concebido numa época péssima para o Death Metal, quando a moda do momento era outra e os selos fechavam suas portas para o estilo. Entre 95 e 98 só se assumia como Death Metal quem realmente tinha o Metal da Morte correndo nas veias, que se rebelava contra as tendências reinantes na cena, quem tinha paixão pelo Metal brutal e verdadeiramente mórbido, então o lançamento de “...And The Sky Turns To Black...” foi mais uma prova de que continuávamos fortes acima de tudo. É 100% Brutal Unholy Old School Metal of Death em sua mais pura essência encontrado em cada micro-segundo de música extrema nele contida! Quanto à sua importância para a cena Death Metal num geral, acho que a receptividade e repercussão obtidas desde a época de seu lançamento até os dias de hoje já falam por si só. Creio que “...And The Sky...” foi como um tiro certeiro em todos aqueles que afirmavam que o Death Metal estava morto e enterrado. Hoje eles sabem que perderam uma ótima oportunidade de ficarem calados! Posers & wimps beware... your end is near!!!
18-) Coven Of Darkness - Por onde andam os antigos membros do Headhunter DC? Você mantém contanto com algum deles?
Sérgio – Mantemos contato com alguns deles, outros não mais e um outro em e$pecial não queremos nem saber por onde anda. Betrayer!!! Atualmente temos contato com Eduardo Falsão (vocal, 97-89), Iaçanã (bateria, 87-92), André Moysés (bateria, 94-96), Alex Mendonça (baixo, 97-99 / 2000-2002) e Thiago Nogueira (bateria, 96-2002), uns com mais freqüência que outros, alguns deles não mais pertencentes à cena Metal, mas mantendo uma boa relação de amizade conosco.
19-) Coven Of Darkness – Morbidez! Vejo que essa característica vem se ausentando cada vez mais nos grupos de Death Metal. É claro, não podemos generalizar, mas atualmente vejo clones e mais clones de “Niles” e “Hate Eternals”, onde todos querem soar os mais rápidos e técnicos e esquecem o feeling do tradicional Death Metal. Parece uma competição, e francamente para mim isso soa extremamente maçante e chato! Como você analisa essa dita “evolução” que o Death Metal passa atualmente?
Sérgio – Definitivamente nenhuma dessas bandas ultra técnicas e com 1.000.000 de blasts por minuto me chamam a atenção. Eu até acho interessante algumas músicas do Nile, como no “Black Seeds of Vengeance” por exemplo, mas após algumas poucas audições tudo torna-se maçante e chato como você mesmo falou. Se você reparar bem, os maiores hinos do Death Metal possuem riffs e estruturas simples, o que significa que não é preciso fazer mirabolâncias musicais para se criar uma música memorável. Não estou querendo dizer aqui que não se deve existir técnica no Death Metal; nós mesmos possuímos algumas estruturas bem técnicas dentro de nosso estilo de se compor, mas procuramos uni-las a estruturas mais simples para criarmos a atmosfera certa em nossas composições. O equilíbrio entre a técnica e a espontaneidade dos riffs mais diretos, mórbidos, ‘in your face’, são a chave para a criação do Death Metal perfeito, memorável e com essência em minha opinião. Ouçam bandas como Pentacle, Sadistic Intent, Mortem, Repugnant, Incantation, Incrust, Hatespawn, Kaamos, Immolation, Necros Christos, Sanctifier e Dead Congregation, entre outras, e entenderão bem o que estou dizendo.
20-) Coven Of Darkness - Leon Manssur “Necromaniac” do Apokalyptic Raids comentou certa vez que o problema desse “atual” Death Metal seria a abordagem. Não seria uma banda individualmente, mas sim, um estilo inteiro construído no erro. Você concorda com a opinião dele?
Sérgio – Eu tenho que admitir que algumas bandas que seguem a linha desse “atual” Death Metal são muito boas dentro daquilo que se propõem a fazer, ou seja, se é ultra rápido e técnico que eles gostam, então que sejam assim e mostrem suas habilidades. Se é o que gostam de ouvir e tocar, que assim os sejam, mas para mim falta sentimento, entende? Não sei se é um estilo construído no erro, só sei que não é o que gosto de ouvir e tocar. Pra quem gosta, certamente é um prato cheio, mas minha concepção de Death Metal é bem diferente disso aí...
21-) Coven Of Darkness - O Headhunter DC foi convidado para abrir os shows da turnê brasileira dos americanos do Omen junto com o mexicanos do Strikemaster. Qual o balanço que fazem dessa turnê?
Sérgio – Nos sentimos honrados ao sermos convidados pela Open Road Agency, na pessoa do grande irmão Silvio Rocha (Dominus Praelii), para abrirmos parte da turnê do Omen pela América do Sul, principalmente por tratarem-se de uma verdadeira legenda viva do Heavy Metal mundial, responsável por clássicos como “Battle Cry”, “Warning of Danger” (esse está entre os meu ‘top 5’ álbuns de HM tradicional de todos os tempos!) e “The Curse”. Kenny Powell rules!!! Foram 12 shows em mais de 20 dias na estrada, de Vitória/ES, passando por todo o Nordeste, até Belém do Pará. O balanço que fazemos é que foi mais um importante alcanço em nossa trajetória, o qual nos deixou muito satisfeitos num geral. Apesar do grande cansaço que uma tour nesses moldes sempre nos traz, tudo valeu mais do que a pena. Fizemos uma grande amizade com os guerreiros do Omen, assim como com os cabrones mexicanos do Strikemaster. Já estamos ansiosos pelo próximo giro! Mil saudações e congratulações ao Silvio pelo grande feito! All hail!!!
22-) Coven Of Darkness - Baloff, eu sei que esse assunto é batido, então não vou me prolongar muito. Há algum tempo atrás vimos uma enxurrada de bandas de Thrash Metal 80´s aparecendo do nada, moleques com suas jaquetas entupidas de patches, calças apertadas, bonés com aba para cima, dizendo que somente o que era feito nos anos 80 era bom e que só ouviam Thrash Metal renegando outros estilos de Metal. Outro detalhe importante foi o aumento pela procura do vinil e também as bandas voltando a cantar em português. Em sua opinião, nostalgia ou puro modismo?
Sérgio – Não há como ter nostalgia por um momento ou época em que não se viveu, concorda? Na verdade eu não estou aqui para julgar nada e nem ninguém, e acho que o tempo, como sempre, se encarregará de mostrar quem está nessa para ficar, assim como em qualquer outro estilo de Metal. Eu disse exatamente isso quando testemunhei a febre do thra$h no final dos ‘80’s (quem viveu aquela época e era contra toda aquela onda saberá por que estou usando um cifrão na palavra “Thrash”), e muito pouco daquele pessoal sobrou para contar a estória. Foi a época do Thrash “alegre”, colorido, de bermuda, do “I’m the Man” do Anthrax (aaaaaaaaarrrrrrghhhhhhhhh!!!!!!!!!!!), diferente daquele Thrash fudido e violento de 85/86 via Exodus “Bonded by Blood”, Dark Angel “Darkness Descends”, Assassin “The Upcoming Terror”, Whiplash “Power and Pain”, Voivod “War and Pain”, Sacrifice “Torment in Fire” e outros. De qualquer forma, sabemos que em grande parte esse “deslumbramento” por essa então chamada “filosofia thrasher” é algo puramente tendencioso, já que a algum tempo atrás – não muito distante, até – usar patches, por exemplo, era para muitos algo ultrapassado, e hoje voltou a ser sinal de status na cena. O atual pseudo culto ao vinil é outra coisa que me incomoda e por aí vai... O grande problema nesse tópico para mim é a chamada “volta às raízes”, enquanto que o certo seria a manutenção dessas raízes que infelizmente foram renegadas por alguns e são até desconhecidas por muitos. Enfim, como disse anteriormente, só o tempo nos mostrará quem está nessa para ficar e quem só tinha discurso barato e fantasia pra oferecer.
23-) Coven Of Darkness - Qual sua opinião sobre grupos que misturam Metal Extremo com uma temática cri$tã? Fique à vontade para vomitar todo o seu ódio e rancor sobre esses viados!
Sérgio – Serei o mais breve possível nessa questão, pois esse é um assunto que me causa uma grande vontade de vomitar. Definitivamente, o que há de extremo em dizer “a segunda vinda de Cristo está próxima” ou “glória a Deus nas alturas”? Esse é o preço que se paga pela palavra “extremo” ter sido tão banalizada com o tempo e atualmente não causar mais o mesmo impacto de outrora. Muita merda feita aí hoje em dia tem sido “vendida” como Extremo, já reparou? De qualquer forma o chamado “white metal” (?) em si não me incomoda, e também não sinto a cena em que faço parte ser invadida por esses “cordeiros da fé”, pois eu sei muito bem distinguir o que é e o que não é Metal ou Extremo, e “isso” definitivamente não é e nem nunca foi Metal verdadeiro. A eles o meu mais profundo e absoluto DESPREZO, nada mais que isso!
24-) Coven Of Darkness - A cena nordestina, principalmente a baiana, é fortíssima. Além do próprio Headhunter DC temos outros grupos de extrema qualidade, como o lendário Mystifier, Incrust, Impetuous Rage (atual Poisonous), Inherit, etc. Qual sua visão (sincera) sobre a cena baiana atualmente?
Sérgio – A atual cena baiana é uma cena repleta de dualismos, paradoxos. Enquanto temos pessoas sérias que lutam pelo desenvolvimento sadio da mesma, sejam com bandas, zines, distros ou apenas dando seu suporte de forma individual, existem outras que empurram a coisa no sentido contrário, com comportamentos débeis e parasitários, numa tentativa de destruir tudo aquilo que levamos anos pra conquistar. Mais uma conseqüência da chamada banalização da cena! Só presenciando alguns shows aqui na cidade para saberem o que estou dizendo. Em tempo: todas as bandas citadas aí por você representam bem o lado “sadio” - sem deixar de ser doentio - (risos) da atual cena baiana. Confiram também Inside Hatred, Eternal Sacrifice, Necrobscure, Malefactor, Escarnium, Deformity e outras que têm desenvolvido um trabalho sério e de qualidade por aqui. Apesar dos pesares, temos orgulho em ter um público fiel e que se comporta como verdadeiros head/deathbangers em nossos cultos ao vivo. São a esses que nossos esforços são voltados. Hail Bahia Death Metal Legions!!!!
25-) Coven Of Darkness - Li que vocês pretendem lançar um novo holocausto sonoro no início de 2010. O que o deathbanger poderá esperar desse novo trabalho? Você poderia nos adiantar alguma coisa?
Sérgio – Sim, é verdade. A idéia é entrar em estúdio para a gravação do novo opus já no primeiro trimestre de 2010, e para isso estamos concentrados na criação de novas odes à decadência divina. Não esperem por nada que não seja ‘pure brutalizing Unholy Metal of Death’! Já temos um título provável para o álbum, o qual deveremos divulgar dentro em breve, mas em primeira mão posso te adiantar alguns novos títulos de hinos, como “Deny the Light”, “Dawn of Heresy”, “Cursed be Thou” e “Metal da Morte”. Um novo assalto profano está a caminho...
26-) Coven Of Darkness - Uma curiosidade, você tem algum hobbie? Como você se distrai no seu tempo livre? Livros, filmes, álcool... O que você poderia nos recomendar?
Sérgio – Na realidade eu não costumo ter hobbies como a maioria das pessoas ditas “normais”. Eu posso até ser considerado uma pessoa chata pelo grande senso crítico que carrego em minha personalidade, então muito pouca coisa do que tem acontecido atualmente no mundo, em diferentes âmbitos, tem me chamado a atenção. O Metal e especialmente o Death Metal faz 101% parte de minha vida e é quase exclusivamente ele que preenche o vazio do meu viver nesse mundo hipócrita. Sexo e álcool logicamente são essenciais nessa filosofia metálica de vida, parte vital do estilo de vida (death)banger, alguma literatura e filmes também, mas sou muito conservador, ortodoxo, também nesses aspectos: Nietzsche, O Exorcista, The Omen (a trilogia) e o Bebê de Rosemary já são o suficiente para retorcer a minha mente da forma mais prazerosa possível.
27-) Coven Of Darkness - Grande Sérgio Baloff, foi uma honra em entrevistá-lo! Boa sorte com o Headhunter DC e esperamos mais hinos profanos do Culto da Morte em breve. Deixo espaço para você falar o que quiser!
Sérgio – Eu é que agradeço a você Saulo & Coven of Darkness pelo suporte ao Headhunter Death Cult e pelas perguntas inteligentes. Foi um prazer! Vida longa aos zines impressos!!! Aos leitores, aguardem por mais uma flecha negra direto no coração do cristianismo em forma de novos hinos de morte e pecado para breve e unam-se a nós numa verdadeira aliança deathmetálica em prol do antigo espírito do Metal e contra a mediocridade na atual cena. Um grande ‘hail!’ a todos aqueles que mantém o sangue metalizado (Desaster...yeah!!! Hail Tormentor!!!!!!!) pulsando nas veias e mantenham-se distantes de Deus. Nós somos o câncer de Deus que se espalha... Death Metal rules supreme!!! LONG LIVE THE DEATH CULT!!!!!!!!!