Carve - Revel In Human Filth
(Black Hole Productions)
Roger "Rogga" Johansson é um batalhador na cena Death Metal underground sueca. Conhecido pelos seus trabalhos no Paganizer e também Deranged (onde fez os vocais em uma turnê no período de 2001/2002), ele formou em 2000 junto com seu camarada de Paganizer Matthias Fiebig (bateria) e os comparsas Emil Koveroth (guitarra – ex: Blodsrit e Portal) e Oskar Nilsson (baixo – ex: Obscenity)o Carve e lançaram em 2002 o álbum de estréia Stillborn Revelations, numa parceira com o selo brasileiro Black Hole Productions. Esse material nada mais era que a junção das primeiras demos do grupo, mas remasterizadas. O resultado foi matador, chamando bastante a atenção dos deathbangers, especialmente aqueles que apreciam os primeiros álbuns dos polacos do Vader. Pois bem, passados dois anos o grupo solta seu segundo petardo, o fudido Revel In Human Filth, uma autêntica aula de como fazer Death Metal tradicional e sem frescuras. Agora reduzido em um trio (Emil Koveroth pulou fora), este segundo trabalho mostra um Carve com composições ainda mais fortes e maduras em relação aos trampos anteriores. A influência do Vader ainda existe, mas aqui nota-se que o Morbid Angel também passou a ter um papel importante no processo de composição do grupo, com partes bem rápidas e outras cadenciadas, ambas típicas do Death Metal. Ou seja, aqui a brutalidade impera, com direto à riffs sombrios, vocais ríspidos e o pique quebra pescoço da cozinha. A produção perfeita de Dan Swanö também contribuiu para que pedradas do porte de Storms Across A Dead Planet, Hatred Unbound, Soulrape Unleashed e a fudida Fall From Disgrace soassem autênticos assaltos profanos do Metal da Morte. Uma pena que após esse trabalho o grupo encerrou suas atividades. Cabe aqui um alerta: Se você é adepto a sonoridade GAY do tal "Gothenburg Sound" nem chegue perto deste trabalho. Deathbangers apreciadores do Old School Death Metal e do VERDADEIRO Swedish Death Metal não deixem de conferir essa autêntica pancadaria nórdica. Muito foda! (Por: Saulo Baldim Gandini)
O nome Tsjuder é um dos mais significativos da cena Black Metal norueguesa. Formado no longínquo ano de 1993, esses guerreiros da escuridão sempre foram lembrados pelo seu comprometimento em tocar Black Metal tradicional, nunca abrindo mão da crueza, rispidez e da áurea satânica de suas composições. Como todos sabemos, após o lançamento de três álbuns marcantes (sendo que Desert Northern Hell o ápice em todos os sentidos), o Tsjuder encerrou suas atividades, ficando ausente da cena durante sete longos anos, até voltarem em 2010. O resultado desta reformulação foi o álbum Legion Helvete (2011), mas isso é papo para outro dia. Nesta resenha vamos nos concentrar no terceiro, e para mim melhor álbum, destes noruegueses, o maldito Desert Northern Hell. O que ouvimos aqui é um inferno perfeitamente trabalhado com andamentos velozes, gélidos e brutais, ou seja, características do tradicional Black Metal norueguês, mas que estavam esquecidas. Um autêntico chute na cara de deu$! As estruturas das músicas são interessantes e diversificadas, sempre conseguindo prender a atenção do ouvinte e as variações freqüentes dos riffs e nos andamentos das composições também são acima da média. A produção suja e fria combina perfeitamente com a proposta caótica do trabalho onde os destaques são as fudidas Malignant Coronation, Ghoul, Mouth Of Madness, Sacrifice (cover do Bathory) e a longa Morbid Lust. Fortemente indicado aos fãs da velha escola do Black Metal do início da década de 90. No Fucking Compromise! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Sodomizer - Tales Of The Reaper
(Holokaostor Productions)
O Sodomizer foi formado em 1999 pelas mentes doentias de Leatherface (baixo) e Warlock (guitarra) e chamou a atenção no underground pelo potencial na demo Hell Kult And Sodomy e na promo Tales Of The Reaper, ambas lançadas em 2003. No ano seguinte o grupo, que na época contava com os serviços de Ripper (vocal) e Adrameleck (bateria - ex: Grave Desecrator, Nocturnal Worshipper, dentre outros), entrou em estúdio para gravar essa pérola intitulada Tales Of The Reaper. A proposta inicial do Sodomizer sempre foi tocar Heavy Speed Devil Metal, ou seja, fundir influências do Black/Power/Speed Metal com a temática dos filmes de terror, pornografia e ocultismo em suas letras, características essas, que o ouvinte irá encontrar em doses cavalares neste registro. Portanto, a sonoridade do Sodomizer não tem nada haver com esse "Heavy/Power Metal" GAY que "mídia especializada" teima em rotular nos dias de hoje. Na época em que saiu, Tales Of The Reaper foi lançado somente em vinil pela Dark Sun Records, mas em 2006 a gravadora Holokaostor Productions se encarregou em lançar esse álbum no formato CD com a adição de quatro faixas bônus, saciando o impuro desejo dos die-hards maníacos pelo grupo. Originalmente Tales Of The Reaper nos trás seis músicas afiadíssimas, refletindo a pegada forte e a influência de grupos oitentistas como Venom, Exorcist, Necrophagia e Mercyful Fate. Os vocais insanos de Ripper - bastante influenciado por Udo Dirkschneider (Accept) e Thorsten Bergmann (Living Death) - os riffs infernais de Warlock e a cozinha firme e entrosada a cargo de Leatherface e Adrameleck, dão a tona para que faixas como The Ceremony, Night Of The Witch, Lady Lust (Devil´s Whore), Execution Of The Priest, Welcome To Nightmare e Metal From Hell soem absolutamente fantásticas! Apreciadores de uma sonoridade tradicional e sem frescuras, não deixem de conferir esse autêntico açoite metálico. (Por: Saulo Baldim Gandini)
A Bélgica é um pequeno país europeu conhecido pela sua excelente gastronomia, pela beleza de suas cidades, o clima festeiro e, é claro, sua magnífica cerveja. Além de ser famosa por todas essas variedades, a Bélgica também conta com uma cena Metal, que embora pequena, revela ótimos e diversificados nomes para o underground. Acid, Iconoclasm, Aborted, The Beast, Blasphereion são apenas alguns exemplos desta diversificação. Outro grupo belga bastante cultuado na cena extrema é o Enthroned, que vem espalhando sua praga desde 1993, sempre fiel em sua proposta de tocar Black Metal extremo, ríspido e satânico. Depois de passar por alguns momentos turbulentos em sua formação no fraco álbum Armoured Bestial Hell, o Enthroned se reencontrou em seu opus seguinte, Carnage In Worlds Beyond, mostrando um grupo muito mais inspirado nas composições de novas músicas. XES Haereticum segue a tendência já apresentada em Carnage In Worlds Beyond, embora ela se apresente muito mais refinada. Ou seja, por trás da roupagem Black Metal, temos riffs magistrais, um fenomenal trabalho da cozinha e os tradicionais e marcantes vocais de Lord Sabathan, que após esse registro, deixou a banda. Das dez músicas destaco as maravilhosas Crimson Legions, Blacker Than Black, a tétrica instrumental A.M.S.G, Demons Claw, Seven Plagues, Seven Wrath (XES Revelation) – música surpreendente, pois segue uma linha totalmente Metal Tradicional e ainda conta com a participação do produtor Harris Johns – e encerrando com Hellgiun Messiah (onde rola em seu final um trecho do hino nacional da Bélgica). A versão limitada trás ainda três faixas bônus, todas excelentes, com destaque maior para a fudida Satanic Metal Kult e o violentíssimo cover para Under The Guillotine dos alemães do Kreator, que com certeza deixaria Mille Petrozza sem ar. O encarte é muito caprichado e todo feito em papel envernizado trazendo fotos dos integrantes e todas as letras. Um trabalho espetacular! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Necronomicon Beast - Hell Thrash War
(Morbid Tales Records)
Excelente iniciativa do selo paranaense Morbid Tales Records em distribuir no Brasil esse debut álbum dos guerrilheiros do Necronomicon Beast. Formado em 1999 e contando com membros e ex-membros de outros conceituados grupos como Folklord e Wytchkraft, o Necronomicon Beast executa um imundo e ríspido Thrash/Black Metal inspirado nos primeiros trabalhos dos deuses Exodus, Dark Angel, Bathory e Sacrifice. Resumindo um autêntico assalto sonoro! Originalmente lançado em vinil, com tiragem de quinhentas cópias, pelo selo alemão Iron Bonehead Productions, Hell Thrash War trás oito faixas para destroçar o pescoço dos die-hards hellbangers. Estão lá os vocais secos com alguns agudos a lá Destruction, os riffs e solos tradicionais, a cozinha quebra pescoço e a temática abordando como foco principal a guerra, mas não deixando de lado outros assuntos como anti-cristianismo, morte e sexo. Destaque para as esporrentas A Nail In The Christ´s Face (Satan´s Black War), In Hell We Trust, War Sex Blood, Panzer NB Troopers Marching To War e o fudido cover para Death By Bewitchment do igualmente fudido Exorcist. Ah! Só para lembrar que esse lançamento contém duas músicas bônus: Brazilian Hellish Nights e Thrash Metal Warfare. Fãs de Thra$h "alegre" e colorido nem cheguem perto desse mortífero artefato, já apreciadores de um violento Thrash Metal na linha Darkness Descends e Torment In Fire, não deixem em hipótese alguma de conferir esse trabalho, poisHell Thrash War foi feito para vocês. (Por: Saulo Baldim Gandini)
O Nocturnal, como muitos sabem, é um expoente do Thrash Metal na atualidade para nós. Muitos me perguntam o porque da banda ser bastante especial para mim. A banda sempre manteve seu aspecto obscuro através de lançamentos maravilhosos como o MLP Thrash With The Devil ou o magnífico 7’’ Slaughter Command. Este 7’’ é um sinônimo de Thrash como deve ser tocado, sem modismos, sem complexidade, como um soco na cara. Este material contém uma característica incomum numa banda de Thrash Metal, há a presença da guitarrista Jex. Sim, uma mulher no line-up do Nocturnal, mas que foi demitida da banda por razões desconhecidas. No compacto há um aspecto “Die Hard” do começo ao fim e que já começa com a maravilhosa Fire Of Revenge dando uma breve impressão da influência do Bathory na composição, devido a sua levada mais cadenciada. A música pega um embalo maravilhoso com belas passagens de riffs cortantes feitos por Avenger e, inclusive, nessa música em especial, há uma passagem impecável no final da música que pode ser destacada como uma característica forte do Thrash “Evil”. Seguida pelo cover de Killing Machine (Living Death), que em minha opinião, deixa a desejar nesse compacto, damos de cara com a fudida “TheFinal End”. Essa sim é a responsável por inúmeros headbangings e air guitars executas por mim. Isso sim é Thrash Metal feito com ódio e rancor. No compacto não há letras, o que é outra característica da banda. Impossível forçar a barra, a música é fudida do início ao fim. Esse refrão da “The Final End” é como uma Ode ao Ódio, aquela sensação que você precisa compartilhar seu headbanging frenético com amigos ou talvez um churrasco regado a cerveja. Altamente recomendado assim como toda a discografia da banda. (Por: Uriel Juliatti Valle)