Este aqui é o primeiro lançamento dos suecos do Marduk; Fuck Me Jesus foi uma clássica demo gravada em 1991 e que posteriormente foi relançada em formato EP pela gravadora francesa Osmose Productions. Na época deste registro, a sonoridade do grupo era bem diferente do que viria a ser seus lançamentos futuros, já que em Fuck Me Jesus o Marduk possuía muitas influências de Death Metal, que reunidas ao Black Metal tradicional, deixava o som muito mais diversificado. Algo semelhante estilisticamente com que o Darkthrone fez no magnífico Soulside Journey. O trabalho inicia-se com a faixa titulo que na verdade é uma introdução retirada do filme Exorcista (“Let Jesus Fuck You” e ”Lick Me”), que em minha opinião combinou perfeitamente com a proposta do álbum. A parte principal do EP concentra-se em três composições, Departure From The Mortals, The Black... e Within The Abyss, que depois fariam parte do debut Dark Endless lançado em 1992. Essas três músicas são ótimas, com várias variações, mesclando muito bem partes arrastadas e macabras com os blast beats da bateria. Os vocais de Andreas Axelsson são excelentes, vomitados e cheios de ódio, assim como a bateria de Joakim “Af Gravf” que soa bem diversificada. Esse EP foi relançado em 1999 com três faixas bônus dentre eles uma versão de estúdio da música Dark Endless (gravada nas sessões do Opus Nocturne) e dois covers do Bathory para as músicas In Conspiracy With Satan e Woman Of Dark Desires (que saíram no álbum tributo ao Bathory, intitulado In Conspiracy With Satan). Vale lembrar também de sua arte de capa, uma das mais blasfemas e afrontadoras da história do Black Metal. Fuck Me Jesus é um registro muito bom de um dos melhores grupos da Escandinávia. Recomendado para os fãs do grupo e fãs de Black Metal. Se achar compre! (Por: Saulo Baldim Gandini)
Darkthrone - A Blaze In The Northern Sky
(Peaceville Records)
E cá estou eu novamente na sessão Classic Review, para prestar uma homenagem a um álbum de suma importância para o Black Metal e que, em minha opinião, foi lançado muito à frente de seu tempo. É óbvio que estou falando do fenomenal A Blaze In The Northern Sky dos noruegueses do Darkthrone. Gravado em 1991 e lançado somente no início de 1992, A Blaze In The Northern Sky marca o início da fase Black Metal da banda. Como todos têm conhecimento, o Darkthrone tocava um Death Metal extremamente cru em suas demos e no seu debut álbum, o magnífico Soulside Journey, mas o envolvimento do grupo com a cena Black Metal norueguesa fez com que a sonoridade do mesmo fosse alterada. Era época em que a cena norueguesa passava pelo seu melhor momento, revelando diversos grupos de qualidade, mas também era o auge do Inner Circle, que já começava a causar diversos problemas para porca sociedade judaico-cri$tã, espalhando o ódio e o caos. E foi neste ambiente que o Darkthrone lançou seu segundo petardo. A visual Death Metal de outrora, foi substituído pelos spikes e corpse-paint e os membros do grupo (assim como todas as outras bandas que estavam começando) adotaram pseudônimos. Dag Nilsen, insatisfeito com as mudanças de sonoridade, foi chutado do grupo sem a menor cerimônia. Musicalmente A Blaze In The Northern Sky, o Darkthrone passou a combinar suas influências de Hellhammer, Celtic Frost (old) e Bathory com estruturas mais simples e vocais rasgados (ótimo trabalho de Nocturno Culto), criando assim, uma sonoridade crua e primitiva. A prova disso é a longa Kathaarian Life Code, onde após uma diabólica intro, mescla partes velozes com outras mais cadenciadas, tudo isso regido pelos vocais desesperados de Nocturno Culto A produção chama a atenção por ser extremamente suja e primitiva, realçando o poder de fogo das composições. In The Shadow Of The Horns é uma das melhores faixas e uma das minhas preferidas deste trabalho, pelo seu marcante refrão e pela inclusão de partes acústicas em seu final. A próxima música Paragon Belial, assim como Where Cold Winds Blow, possuem uma atmosfera atormentadora e carregadas de ódio. A faixa título destaca-se pelos riffs afrontadores e violentos de Nocturnal Culto e Zephyrous e a condução perfeita de Fenriz nas baquetas. Encerrando esse grande artefato temos a densa The Pagan Winter, que com suas melodias gélidas, fecha com chave de ouro essa autêntica e desoladora obra de arte do Metal Extremo. Para finalizar um destaque especial para a simples, porém perturbadora capa, trazendo uma foto de Zephyrous em um cemitério, combinando perfeitamente com a proposta do álbum. Essencial! (Por: Saulo Baldim Gandini)
A música extrema chegou a um patamar diferenciado entre 1987 e 1992. Neste período diversas bandas começaram a elaborar uma sonoridade com características mais 'inflamadas'. O Grindcore invadia o submundo underground, enquanto o Death Metal se proliferava com extinto famigerado de velocidade. O Black Metal se tornava menos Metal e mais "Black", muita ideologia idiota de vandalismo na Europa e pouca postura headbanger. Dentre várias instituições que surgiram nesta época destaco essa desconhecida banda oriunda da Austrália: Martire. Com o seu Death/Black/Thrash avassalador, a banda lançou em 1991 o EP auto intitulado, caracterizado pela sonoridade rápida e crua dos australianos e seguindo a tradição de veteranos como Hobbs Angel Of Death, Mortal Sin e Slaughter Lord. Os poucos mais de 15 minutos de Metal ríspido demonstram a influência de bandas como Sarcófago, Blasphemy, Necrodeath, Possessed e outros e refletem a resistência e postura das gravações espontâneas. Faixas como Apocalypse, HellChrist, Peace Keeper e Hell-A-Caust fazem avaliarmos quantas bandas fodas como o Martire foram esquecidas e não reconhecidas por nós headbangers. (Por: Lucas Deathim)
Dismember - Like An Ever Flowing Stream
(Nuclear Blast Records)
Não é apenas de Heavy Load, Torch e Candlemass que sobrevivia a cena underground sueca. O país de bandeira azul e amarelo é um dos mais tradicionais dentro do Heavy Metal, repleto de grupos fantásticos. No final da década de oitenta e inicio de noventa houve um crescimento generalizado de bandas de Death Metal em todo o mundo e nas terras geladas suecas essa proliferação gerou várias bandas da vertente. Talvez dentre essas surgiu um dos grupos mais fiéis e regulares dessa escola musical tão bastarda: Dismember. Lançado em 1991, o debut Like An Ever Flowing Stream contém hinos atemporais do gênero recheado de peso e melodia. Os acordes dos tracks Soon To Be Dead, Skin Her Alive, Dismembered, In Death’s Sleep demonstram a voracidade e maestria do ruído bastardamente grave e metálico. O Metal da Morte agradece por esse registro, já que a ‘lápide’ desta instituição foi aprovada pelos seus ouvintes e pelo próprio ceifador da noite. No mais um registro obrigatório em todos os acervos pessoais de Metal. (Por: Lucas Deathim)
No início da década de 90 muitos bangers indagavam-se sobre o motivo da saída do vocalista e baixista Martin Van Drumem do Pestilence, já que a banda estava em um ótimo momento na turnê do clássico álbum Consuming Impulse de 1989, um registro histórico do Death Metal mundial. Mas logo os mesmos fãs, que tinham a dúvida da retirada de Martin, obtiveram uma resposta imediata chamada The Rack, o primeiro filho do Asphyx, lançado em 1991. Martin Van Drumem regeu os vocais e o baixo desta obra, acompanhado do guitarrista Eric Daniels e do baterista Bob Bagchus (mentor do Asphyx). Com o passar dos tempos The Rack se tornou um marco no underground não por se tratar de um álbum composto por um ex-integrante do Pestilence, mas por representar um Death/Doom visceral com uma pegada única, bastante influenciada por bandas dos dois gêneros, como o grandioso Autopsy. As guitarras ‘estouradas’ de Eric Daniels proporcionaram riffs esmagadores do mais insano Death Metal, estilo este que se proliferava pelo underground internacional a toda força, naquele inicio de década. Faixas como Vermin, Wasteland Of Terror, Diabolical Existence, The Rack e Evocation traduzem o peso da relevância desse álbum no cenário underground. O álbum foi lançado anos atrás pela gravadora brasiliense Kill Again Records repleto de bônus ao vivo. (Por: Lucas Deathim)