Tributo - Destruction

07 junho, 2011.

Formação clássica do Destruction: Schmier, Mike & Tommy
                                                                            
Por: Saulo Baldim Gandini


   Lembro-me há muitos anos atrás, mais precisamente, nos tempos de escola quando um velho amigo em uma de nossas conversas sobre Metal comentou sobre uma banda alemã de Thrash Metal chamada Destruction. Comentei que o nome não era estranho, mas que nunca tinha tido a oportunidade de ouvi-la. No dia seguinte ele chegou com uma fitinha (bons tempos!) com o álbum Eternal Devastation gravado. Quando cheguei em casa e a coloquei para rodar foi como eu tivesse levado um soco no rosto! Essa fita tocou e tocou no meu aparelho de som até gastar. Tempos depois tive outra surpresa quando vi pela primeira vez o visual de seus integrantes, vestidos com couro, spikes, rebites, braceletes, correntes e cintos bala, na contracapa do álbum Infernal Overkill. Bati o olho e pensei: “Quer dizer que esses são os fodões”. Após esse pequeno relato pessoal, vamos à história desses carniceiros alemães que junto com seus conterrâneos Sodom e Kreator formam a trinca de ferro do Thrash Metal alemão.

   O Destruction foi formado do ano de 1982, na pequena cidade alemã de Weil am Rhein, no estado de Baden-Württemberg, sul da Alemanha. A formação contava com o baixista e vocalista Marcel “Schmier” Schirmer, o guitarrista Mike Sifringer e o baterista Thomas “Tommy” Sandmann. No início, o grupo chegou a se chamar Knight Of Demon, mas logo em seguida mudaram para DestructionApós a gravação de uma demo, denominada Bestial Invasion Of Hell, em 1984 o trio desperta o interesse da gravadora alemã Steamhammer e dessa união surgiu o primeiro registro da banda o clássico EP Sentence Of Death, que foi lançado em setembro do mesmo ano. Com uma produção tosca e crua e totalmente influenciado por Slayer, Venom e Metallica, esse EP é um verdadeiro marco do Metal Extremo mundial, sendo até hoje uma referência para grupos Thrash/Death/Black. Nesse petardo os vocais de Schmier eram bem mais doentios, Mike já demonstrava muita competência e personalidade na criação do riffs e a performace do baterista Tommy não impressiona, mas não chega a comprometer. Este trabalho tomou uma proporção mundial, levando a banda a fazer uma turnê com os deuses do Slayer em 1985.  

   Neste mesmo ano, depois da primeira bem sucedida experiência em estúdio, o Destruction finalmente grava seu aguardado debut. Infernal Overkill é lançado em maio e causa uma enorme repercussão na Europa onde o Destruction se destaca como uma das maiores revelações do Thrash europeu. O feeling e a pegada já tradicional do trio alemão estavam intactos nesse trabalho. A produção ainda era tosca e modesta, mas isso era apenas um detalhe secundário e sem muita importância, pois a raça e a garra do grupo compensavam isso com sobras. Em aproximadamente quarenta minutos, clássicos absolutos do Thrash Metal massacram o pescoço dos headbangers, como a poderosa Invincible Force, Death Trap, The Ritual, Besital Invasion (com uma “rifferama” matadora), a curta instrumental Thrash Attack e o encerramento com Black DeathMais uma bem sucedida turnê e o grupo entra em estúdio para registrar o petardo Eternal Devastation, considerado por muitos fãs com o melhor trabalho já lançado pela banda. O álbum apresenta composições fortes e marcantes somados a já experiência de estúdio do trio, o que realçou pedradas como Curse The Gods (para muitos fãs a melhor composição do Destruction, tanto na parte instrumental quanto lírica), Eternal Ban (maravilhosa) e Life Without Sense (que possui um dos mais fodidos riffs da história do Metal alemão). Outras ótimas composições são Confound Games, United By Hatred e Upcoming Devastation. Nesse álbum Schmier atingiu seu ápice como vocalista, seus tradicionais agudos ficaram marcantes (“Curse Of Goooooodss”) e Mike se destacou pelos seus inspirados riffs, fora o timbre matador de sua guitarra que se tornou a marca registrada desse álbum. Um detalhe a ser comentado nesse álbum é o seu conteúdo lírico que está mais “pensativo”, ou seja, o Destruction abordou temas diferentes nesse trabalho como loucura, depressão e ateísmo fugindo um pouco dos tradicionais temas “Evil” presentes nos antigos registros. 


   A turnê de divulgação desse álbum contou com shows ao lado dos conterrâneos do Kreator e Rage, ambos atuando com bandas de abertura. Mas após esses shows o Destruction sofreu sua primeira baixa na formação, com a saída do baterista Tommy. Oliver “Olly” Kaiser é recrutado para assumir as baquetas e o grupo acrescenta um segundo guitarrista em sua formação: Harry Heinrich Wilkens. Com essa nova formação em quarteto o grupo solta em julho de 1987 o EP Mad Butcher. Esse EP foi responsável pela principal turnê que o Destruction fez nos Estados Unidos e na Europa. O grupo também chegou a tocar pela primeira vez no Brasil na época desse trabalho. Mad Butcher é mais refinado e técnico que os outros trabalhos da banda, vide a regravação da faixa título. Mike e Harry mostram um ótimo entrosamento demostrado na instrumental The Last Judgement. Outra música clássica desse EP é Reject Emotions uma das melhores músicas do Destruction, que é tocada até hoje nos shows. Há também um cover para The Damned do Plasmatics que ficou interessante.

   Em maio de 1988 é lançado o trabalho que é considerado como um dos mais esquisitos do Destruction intitulado Release From Agony. Este registro, que marca a estréia oficial do guitarrista Harry, não agradou uma boa parcela dos fãs na época devido à técnica apurada das composições, pois de acordo com a banda, o principal objetivo desse álbum era fugir do convencional. Release From Agony não é ruim, pelo contrário! A vigorosa faixa titulo com seu refrão pegajoso é um dos maiores clássicos do grupo até hoje. Outras faixas que esbanjam feeling e técnica são Sign Of Fear e Unconscious Ruins. A banda realizou uma turnê com o Motörhead na Europa, que na opinião da imprensa e dos fãs não foram excelentes por unanimidade. Desta turnê saiu o primeiro registro ao vivo denominado Live Without Sense, lançado em 1989 e que é considerado um dos melhores registros ao vivo do Thrash Metal. O trabalho dava ênfase aos três primeiros álbuns do grupo e mostrava um entrosamento dos integrantes fora do comum, principalmente a dupla de guitarristas Mike e Harry que estava afiadíssima. Apesar disso o clima dentro da banda não era dos melhores, muitas desavenças e brigas estavam acontecendo entre os integrantes o que acabou gerando a saída do vocalista e baixista Schmier. Essa notícia chocou os fãs do Destruction, pois ele era a marca registrada da banda. Sem Schmier (que após sua saída do Destruction montou o Headhunter junto com renomado baterista Jörg Michael e do guitarrista Uwe “Schmuddel” Hoffmann) o guitarrista Mike se viu forçado a lançar mais um álbum, pois tinha um contrato em vigor com a Steamhammer. Para o posto de vocalista é recrutado André Grieder (Poltergeist) e Cracked Brain foi lançado.

   O trabalho é recebido com muito descaso por parte dos fãs. O álbum não é ruim, mas a ausência de Schmier descaracterizou por completo o som do grupo. Durante a década de 90, Mike e Olly tentaram levar o nome Destruction adiante lançando os EP´s Destruction e Them Not Me e mais um álbum completo de estúdio chamado The Least Sucessful Human Cannonball. Esses trabalhos, cuja sua sonoridade é bem diferente do antigo Destruction, são desconsiderados pelo grupo, sendo que nem mesmo figuram na discografia oficial. Em 1999, após uma grande demanda de fãs para que o grupo voltasse, Mike e Schmier decidem reativar o Destruction com o auxilio de um novo baterista chamado Sven Vormann. O resultado disso foi o bem recebido All Hell Breaks Loose, lançado pela Nuclear Blast. Produzido por Peter Tägtgren (Hypocrisy) o álbum traz grandes músicas como The Final Curtain, Machinery Of Lies, The Butcher Strikes Back e uma matadora versão para o clássico Total Desaster aqui rebatizada de Total Desaster 2000 e que conta com a participação de Peter que ajudou nos vocais e na segunda guitarra. A edição limitada desse álbum (com dois CD´s) traz a demo Bestial Invasion Of Hell.

   No ano seguinte, mais afiada do que nunca, o Destruction solta The Antichrist um trabalho que fez com que o nome do grupo voltasse a repercutir forte na cena. Novamente contando com a produção de Peter Tägtgren, o trabalho é marcado pelos riffs inspirados e marcantes de Mike e pelos vocais extremamente agressivos de Schimer. O baterista Sven realiza um ótimo trabalho nas baquetas. Após esse álbum ele deixa o grupo. Segundo os outros integrantes, sua saída se deu pelo fato de ser desinteressado e por não ajudar em nada no processo de composição. Com isso o grupo recruta Marc Reign (Mystic Circle) para assumir os dois bumbos. As faixas que mais se destacaram nesse trabalho, sendo que algumas são tocadas com regularidade nos shows, foram Thrash ´Til Death, Nailed To The Cross, Bullets From Hell e Godfather Of Slander. Em 2002 o grupo voltou ao Brasil novamente para uma turnê junto com o Kreator. Nesse mesmo ano o trio solta seu segundo álbum ao vivo (Alive Devastation) contando com todos os clássicos da banda. Esse trabalho foi relançado em 2004 como CD - bônus numa versão limitada do DVD Live Discharge. Em 2003 o Destruction solta mais um trabalho intitulado Metal Discharge que acabou descontentando uma boa parcela dos fãs por apostar numa produção mais crua e com menos recursos tecnológicos. Uma pausa de dois anos é feita e o resultado é o álbum Inventor Of Evil que também passa despercebido pelos fãs. Após esse trabalho é lançado um álbum contendo regravações dos clássicos do grupo, como uma produção mais moderna. Thrash Anthens dividiu opiniões, enquanto alguns fãs adoraram as novas roupagens para as velhas músicas, outros torceram o nariz. Esse álbum traz também duas faixas inéditas denominadas Profanity Deposition (Your Heads Will Roll).

   Em 2008 o Destruction lança mais trabalho inédito chamado D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. O título faz referência as iniciais das dez músicas que compõem esse álbum. O trabalho conta as participações especiais do guitarrista Vinnie Moore no solo da música Devolution e dos também guitarristas Gary Holt (Exodus) e Jeff Waters (Annihilator) nos solos de Urge (the Greed Of Gain). A versão japonesa do álbum conta com um cover para Shellschock dos ingleses do Tank. Um novo álbum ao vivo é planejado e lançado com o nome de The Curse Of Antichrist – Live In Agony contando com músicas de toda a carreira da banda, desde o EP Sentence Of Death até D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. A data do lançamento foi no dia 25 de setembro pela AFM Records. Atualmente os alemães soltaram mais um novo trabalho de estúdio, intitulado Day Of Reckoning que marca a estréia do novo baterista Vaaver, que substituiu Marc Reign depois de oito anos de serviços prestados ao grupo.     


Discografia:

Bestial Invasion Of Hell (Demo) - 1984
Sentece Of Death (EP) - 1984
Infernal Overkill (Full-Length) - 1985
Eternal Devastation (Full-Length) - 1986
Mad Butcher (EP) - 1987
Release From Agony (Full-Length) - 1988
Live Without Sense (Live Album) - 1989
Super Best Destruction Collection (Compilation) - 1990
Cracked Brain (Single) - 1990
Cracked Brain (Full-Lenght) - 1990
Best Of (Compilation) - 1992
Destruction (EP) - 1994 *
Them Not Me (EP) - 1995 *
The Least Sucessful Human Cannonball (Full-Lenght) - 1998 *
The Butcher Strikes Back (Demo) - 1999
All Hell Breaks Loose (Full-Length) - 2000
Nuclear Blast Festivals (Split) - 2001
Whiplash (Single) - 2001
The Antichrist (Full-Length) - 2001
Alive Devastation (Live Album) - 2002
Metal Discharge (Full-Length) - 2003
Death Angel/Destruction/Exodus/Dew-Scented (Split) - 2004
Live Discharge - 20 Years Of Total Destruction (DVD) - 2004
Inventor Of Evil (Full-Length) - 2005
Thrash Anthems (Compilation) - 2007
D.E.V.O.L.U.T.I.O.N. (Full-Length) - 2008
The Curse Of The Antichrist - Live In Agony (Live Album) - 2009
A Savage Symphony - The History Annihilation (DVD) - 2010
The Price (Single) - 2010
Day Of Reckoning (Full-Length) - 2011


* Estes trabalhos são desconsiderados pelo grupo, sendo que nem constam na discografia oficial.





                                                        

1 comentários:

E.S. disse...

Fudido.
Destruction é matador , Uma das melhores hordas.

Postar um comentário